Escova Curaprox
Foi assim: estava com a gengiva machucada e precisei ir à dentista. Quando marquei a consulta, a secretária me avisou que, quinze dias antes, deveria usar uma pasta de dentes Sensodyne e uma escova de dentes Curaprox. Tudo caro e cheio das frescuras. Nas farmácia, a escova estava R$ 20 e tudo bem, era da Suíça, coisa fina, europeia. E extremamente macia.
Nas próximas duas semanas, só maciez aos meus dentinhos. A consulta foi tranquila, minha gengiva está bem agora. No trabalho, levei a escova nova para escovar meus dentes após o almoço. No banheiro, duas mulheres lustravam a boca com a escova. É famosa, então? Talvez só elas conheçam.
No outro dia, novas mulheres usando a escova da mesma marca. Tira da necessaire aquele pedaço de plástico suíço como o relógio, coloca creme dental, molha a escova. Esfrega pra lá, esfrega pra cá, a espuma chega sai da boca como um cachorro raivoso. Mais um pouquinho pra matar as bactérias e… cospe tudo. Lava a escova, coloca na necessaire e seca a pia e a boca. E eu lá, fazendo o mesmo ritual, pensando: “onde estava quando disseram que Curaprox era moda? Não era a Oral-B? Ou tá todo mundo com a gengiva zoada?”. Talvez esse trend não chegou nas quebradas da zona norte.
Algumas semanas mais tarde, logo após a posse, não posse, posse, não posse de um ex-presidente aí, todo mundo de preto. Como uma desavisada, total penetra nas festas dos góticos que bebem Sangue de Boi no cemitério, vim de azul clarinho, calça cáqui e sapatilha. De novo, a tendência passou longe de mim.
Sobre a escova, eu acho que deve ter tido um surto de aftas por aí. Sobre a cor das blusas, deixo esse debate para os góticos. Aqueles lá eram trend antes dessa modinha.
Aliás, que modinha…