Make de hoje
Há um tempo, só saia de casa com delineador. Mas era uma makezona mesmo, com protetor solar + pó compacto + sombra + delineador + rímel + batom. E tudo isso era feito às 7h30. Teve um dia que, por algum motivo, não segui o ritual. No trabalho, me falaram: “nossa, hoje você tá irreconhecível sem maquiagem”. Isso já tem uns cinco anos, mas é como se fosse ontem.
A Alicia Keys, recentemente, está de cara lavada. Não passa mais nada no rosto, assumiu as manchas, os cílios pequetititos sem rímel… Mostrou quem ela sempre foi. Quando li as matérias sobre a “polêmica” da cantora, pensei: “ah, mas porra. É a ALICIA KEYS”. Até que pensei que poderia tentar, quem sabe daria certo comigo.
Larguei meu ritual matinal (que até então era só protetor, rímel e batom) para uma carona sem máscaras. No começo, fiquei me admirando no espelho, vendo como meus olhos eram pequenos. E que como meus lábios têm uma cor bonita sem meu batom. Dei uma leve penteada com os dedos no meu cabelo e fui trabalhar. Me sentindo Fernanda!
É claro que maquiagem é algo encantador e tem como função enaltecer a beleza. Mas ela não pode (NUNCA! JAMAIS! SOB HIPÓTESE ALGUMA!) servir como muleta para autoestima nem reconhecimento físico. Aprendi que sem “a make”, EU sei quem eu sou mais do que ninguém. E isso é maravilhoso.
Gostaria de ter sabido disso antes. Na escola, por exemplo. Lembro que, certa vez, brincaram com minhas bochechas, porque eram “grandes demais” (aliás, já saiu alguma norma da ABNT sobre tamanho de bochechas? se sim, gostaria de ter acesso a esse material). Voltei da escola muito triste, porque 1) era uma criança; 2) qual o problema com bochecha, porra?. Cheguei em casa, prometi uma dieta que fracassei lindamente diversas vezes, e comecei até a elaborar um método de sucção das minhas carnes faciais. Funcionava assim: quando não tivesse falando, estaria com elas comprimidas, para “fingir” que não tinha bochechão.
Claro que não adiantou nada. E é claro que tudo isso só alimentava o diabinho da baixa autoestima. É até meio clichêzão falar isso, mas só comecei a amar minhas bochechas quando deixei de me importar.
O discurso de “se ame”, “ame suas curvas” é um exercício diário. Não aparece hoje e PLAU você está beijando cada centímetro do seu corpo. É um autoconhecimento que demanda tempo, carinho e atenção para com você. E ah, é só você mesmo, viu? O discurso de “você com uma pança é linda”, “você sem maquiagem é deusa grega” deve vir SOMENTE de você. Se vier de outras vias (namorado, peguete, mãe, pai, tio, tia, etc) não vai adiantar nada. E pior, só vai te fazer infeliz. Porque você estará forçando algo que não quer. E sabe né, a vida é igual peido: se forçou demais, vem merda.
