Vai lá e escreve. Texto 1.

Histórias do Uber, Cabify e similares.

Viajar é sempre muito bom e eu aprendo sobre várias coisas.

Mas é no Uber e similares onde mais aprendo sobre as pessoas.

É na troca com o outro que mais aprendo sobre mim mesma.

Essas histórias se conectam muito com a relação que as pessoas têm com o trabalho e a vida. Foi a lente que usei na minha última viagem a SP.

  1. Senhor Ailton “O senhor dos hidrômetros” avô de duas meninas, uma de 2 anos e outra de 10 meses. Pai orgulhoso de uma filha mestra, cientista e professora de universidade e de um filho que trabalha com Linux na empresa PortoSeguro, que, quase na idade de se aposentar, teve que se reinventar profissionalmente. A crise no setor de construção civil, sua jornada há muito tempo, obrigou Ailton a fechar a fábrica de hidrômetros e garantir a comida de casa com os apps de transporte urbano. “Não dá para pagar plano de saúde, impostos mas dá viver a vida” disse sem rancor, vitimismo ou revolta. Apenas seguindo a vida como ela se apresenta. Ensinamento: sempre é tempo de recomeçar.
  2. Euzer, o filho único que foi deixado pela mulher que amava e se converteu a igreja evangélica. “Eu já aprontei muito na vida, de rachas, brigas com armas a grandes dívidas no cartão. Hoje eu vivo a palavra do senhor”. Esse carro aqui foi um milagre na minha vida”. E começou a pregar até o meu destino. Pela fé está renovando a esperança na vida e a esperança de ter a amada de volta. Ele tem 27 anos. É um romântico aspirante a pastor super sincero. Ensinamento: a fé em algo nos mantém vivos.
  3. Moses Nelson sul africano que ficou no Brasil por amor de uma brasileira. Feliz, sorridente ao saber que poderia falar em inglês. Mas super orgulhoso do português com sotaque forte. “15 anos aqui meu português é muito bom”, disse. Casado, apaixonado, carismático, professor de inglês que virou motorista pq perdeu muitos alunos. Ensinamento: o amor faz você ficar.
  4. Pablo Sebastian do App 99 Pop é o menino do meu preconceito aflorado. As 2 da manhã, ele de boné, camiseta, colar e relógio da hora. Um Fiat uno ((99 Pop – Rodrigo gasta rios de dinheiro no hotel e resolve economizar no taxi as 2 da manhã aff. Passou tanto medo que só pediu Uber Black depois rs) Eu estava apavorada achando que ele tinha roubado o carro do motorista oficial. Chequei a cara dele no App. Não dava pra reconhecer com o boné. Foram os 15 minutos mais demorados da minha vida. Passando por ruas escuras, vazias e desconhecidas. Ele, o Pablo queria apenas garantir o leite das crianças. Nos deixou no hotel vivinhos, sem abrir a boca. Ficamos lá com nossos conceitos. Ensinamento: não julgue pela aparência. Cada um no seu quadrado. Tenha fé nas pessoas. Dê uma oportunidade pra vida, para as pessoas etc
  5. Rodrigo Oliveira, pai da Alice, meu marido, aspirante a ironman. Meu companheiro dessas e outras viagens. Sempre carismático, tentando puxar conversa com todo mundo. Que me leva pra lugares incríveis. Que me faz sempre ficar por amor. Que diz que recomeçar faz parte. Julgar é humano. Ter medo é pra ter coragem. Que merecemos ter uma vida muito boa. Que dinheiro ganha de novo. Que a fé é na vida.

Te amo ❤️

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