Países Baixos/Netherlands: Mas pode me chamar de Holanda

Fernanda Passos
Nov 6 · 9 min read

23 de agosto de 2019 e agora somos: Lenon, Diogo e eu.
Saímos de trem de Liverpool para Londres, de Londres pegamos um trem para Amsterdã na Holanda, de lá pegamos outro trem até Utrecht, depois um ônibus até a casa do amigo do Diogo, o nosso novo anfitrião Marcelo.

Só um detalhe o trem de Londres levava umas 5 horas até Amsterdã e estávamos preparados para dormir, ver videos, ler, trabalhar, escrever, mas na prática não foi bem assim…
Conhecemos uma simpática senhora francesa que queria saber em que idioma estávamos conversando já que ela conseguia compreender um pouco. E com esse começo conversamos por 5 horas!

Esta senhora vive normalmente 3 anos em cada país e depois se muda. Já morou em Angola (por isso entendia um pouco de português), no Japão, EUA, em alguns países da Ásia e agora estava morando na Escócia. Nossa nova amiga não apenas viajava, mas ela realmente vivia em cada país, aprendia o idioma, a cultura e fazia tudo junto com o marido e 2 filhos pequenos!
Agora os filhos já estão grandes, um morando nos EUA e o outro se mudando para a Holanda. Nossa amiga francesa ficou super empolgada com a nossa viagem e de repente 5 horas se passaram enquanto conversamos até que ela teve que descer do trem na estação dela… Uma pena que não trocamos contato, não me lembro o nome dela, mas foi divertido conversar em inglês, mudar para espanhol e fazer ela arranhar português, além das histórias claro.

Fomos muito bem recebidos pelo Marcelo em Utrecht, mas como chegamos a noite e cansados nem aproveitamos muito, comemos uma pizza e partiu cama.

Confesso que os Países Baixos eram um país que eu havia estudado pouco e as únicas coisas que eu sabia eram sobre maconha legalizada e a Red Light District, lugar de prostituição de mulheres, mas vou contar aqui como fui surpreendida.

Primeiro uma leve explicação: a Holanda, como é mais comumente conhecida é uma região do país, que na verdade se chama Netherlands ou em português Países Baixos. O governo esta fazendo uma campanha para que os outros países deixem de usar o nome Holanda e incentivar o turismo para outros lugares além da Holanda e Amsterdã que estão completamente tomadas de turistas.

O turismo de massa acaba muitas vezes prejudicando a região já que parte das pessoas vem com a ideia errada de por a maconha ser legalizada, todos vão ficar muito loucos e barbarizar a cidade.
Outro erro do turismo é achar que irá visitar a Red Light muito louco e fazer o que quiser com as mulheres, sendo que elas ficam dançando em janelas de vidro e chamando para programas. Mas a realidade é bem diferente, se alguma das prostitutas se sentirem ameaçadas ou alguém tirar fotos elas acionam um botão e rapidamente um policial vem socorrer e repreender seriamente o infrator.
Além da quantidade de lojas de suvenir, hotéis e AirBnbs que cresceram na cidade.

Como eu falei esse país realmente me surpreendeu, não vou entrar no cunho político, mas encontramos um país que realmente leva muito a sério a sustentabilidade:

Todo mundo já ouviu falar sobre as bicicletas de Amsterdam e estando lá você vê como isso é real. Crianças muito pequenas, pessoas indo para o trabalho ou passeando, idosos, todos tem bicicleta e a usam como principal meio de transporte. Você não vê ninguém obeso, todos parecem super saudáveis, até idosos parecem mais fortes do que jovens no Brasil. Para ter ideia a expectativa de vida é de 82 anos na Holanda, contra 75 no Brasil.

Os transportes mais longos podem ser feitos de trem ou bonde. Usar carros nas regiões centrais é um mal negócio, são poucos estacionamentos e realmente muito caros, isso para desencorajar o uso de carros. Tem ciclovias em todos os lugares e a prioridade é realmente das bicicletas.

Parques lindos e canais por todos os lugares. A vida e o convívio com a natureza é muito incentivado. Os parques tem lagos em que as pessoas podem nadar, passear com cachorros, apenas tomar um sol ou até mesmo trabalhar.

Outro exemplo foi em um evento que nós fomos no dia seguinte em que chegamos na cidade, um festival em um gramado grande com show, várias barraquinhas de comidas e bebidas. Os talheres para as comidas eram de madeira, os copos para as bebidas você precisava deixar um depósito de 1 euro a mais do que a bebida, isso para incentivar que você reutilize o copo e no fim você devolvia o copo e eles devolviam o dinheiro! Se você achava um copo no chão ou no lixo, você podia simplesmente pegar e levar até uma barraquinha e eles te devolviam o dinheiro do depósito, simples assim. Além disso é proibido beber na rua, então as pessoas tem que beber dentro de casa ou bares.

Além da coleta seletiva que existia em todos os lugares! Enfim, um dos países mais preocupados com a sustentabilidade que já vimos.

Outra coisa impressionante é que o idioma oficial do país é o holandês, mas TODOS falam inglês fluentemente e mudam rapidamente de idioma sem qualquer problema.

Contando um pouco do nosso percurso por lá, começamos conhecendo os charmosos canais de Amsterdã em um tour de barco.

Uma das explicações do guia foi sobre as casas “tortas” de cidade que são assim devido ao solo movediço que faz com que as casas se inclinem com o decorrer dos anos.

Outra curiosidade é que antigamente as casas eram construídas de madeira para acompanhar o movimento, mas aconteceram algumas inundações e alguns incêndios, então o governo incentivou as casas de alvenaria.

Como o terreno é pequeno as casas são bem altas e cheias de andares e estreitas, o que fez com que os moradores tivessem que colocar roldanas no último andar para conseguir içar os móveis que não passavam pela escada, apenas pelas janelas.

Ah os holandeses são apaixonados por janelas que são enormes e estão em todos os lugares. Resultado disso foi a criação do Big Brother na Holanda, que conceitualmente é uma janela na TV para que todos acompanhem a vida das pessoas.

Além é claro das janelas com as mulheres com roupas sensuais da Red Light District, que leva esse nome devido as luzes vermelhas nas janelas/vitrines.
Segundo a lei atual, sexo pago consensual entre dois adultos é legalizado na Holanda desde 1971.

Eu poderia escrever por horas curiosidades que aprendemos sobre a Holanda, mas quero contar um pouco sobre outras regiões:

Zaanse Schans

Essa é um daqueles lugares que você vê em filmes e imagina em livros, mas nunca pensa na realidade em um lugar tão fofo.

Moinhos de vento, lagos, patinhos, ovelhas e no dia que fomos um solzinho acolhedor nem quente demais nem frio. Além disso com produção de queijos de vários tipos e chocolates. Duas coisas que eu amo!

Roterdã

A segunda maior cidade dos Países Baixos, menor apenas que Amsterdã, possui o maior porto marítimo da Europa. A cidade precisou ser reconstruída depois da Segunda Guerra Mundial e hoje é um modelos de arquitetura moderna.

Lá nos conhecemos as impressionantes Casas Cubo, do arquiteto Piet Blom e baseadas no conceito de “viver como um telhado urbano”.

A impressão que dá é que não são de verdade, mas as pessoas realmente vivem dentro dessas casas. Nada muito grande, mas tudo muito funcional.

Haia

Deu até para pegar praia em Haia. Pode parecer que somos viciados em praia, mas como não conhecer uma praia bonita, não é mesmo?

Utrecht

Essa foi a cidade em que nos hospedamos na casa do Marcelo, como eu comentei antes. O Marcelo é um brasileiro que mora com a esposa há uns 2 anos na Holanda e além de nos hospedar explicou muito sobre a cultura e hábitos locais, além de ser nosso guia turístico em vários lugares.

Utrecht tem um ar de cidade pequena, com vários parques por perto, longe da agitação e loucura de Amsterdã, mas também com canais, bicicletas e uma qualidade de vida que dá até vontade de ficar para sempre…Sabe aquele lugar que as coisas realmente funcionam? Sim essa é Utrecht.

Amsterdã

Voltando para falar um pouco mais sobre Amsterdã, eu visitei o Museu Anne Frank. Uma dica para quem for: compre meses antes pela Internet. Eu tive que entrar na fila pelo site e só consegui comprar 1 ingresso, o Lenon e o Diogo nem conseguiram ir.

O museu é a casa onde Anne e a família se esconderam por 2 anos durante a ocupação nazista. Quando chegamos em Amsterdã eu estava lendo o livro Diário de Anne Frank, que é um compilado do diário de uma menina judia (Anne) entre 12 de junho de 1942 e 1.º de agosto de 1944 durante a Segunda Guerra Mundial.

Visitar esse museu foi realmente muito emocionante, imaginar que em algum daqueles espaços a Anne se escondeu, teve medo, passou fome e foi presa, simplesmente pelo motivo de ser judia. Mesmo sendo uma adolescente ela escreveu para documentar, na esperança de que aquilo fosse conhecido e nunca mais repetido.

O mais triste é que isso se repete em genocídios que não são noticiados, como em Mianmar, vários países da África e quando negros, mulheres, latinos, religiosos e pobres são discriminados no mundo todo. Cada vez que isso se repete é como se a morte da Anne e de milhões de judeus tenha sido em vão, porque a humanidade não aprendeu nada.

Mas vamos continuar falando de Amsterdã…

Aproveitamos para encontrar o Bruno Gelsi, que trabalhou comigo no finado Unibanco e no Itaú há muitos anos atrás.

O Bruno esta morando com a companheira dele, a Natalia, em Amsterdã há alguns meses. Aproveitamos para apresentá-los para o Marcelo e bater papo sobre a vida na Holanda.

No outro dia ainda aproveitamos para, claro, andar de bicicleta, passear pelo parque Rembrandt e bater muito papo.

Por fim, na nossa viagem pelos Países Baixos eu não fumei ou comi o bolinho de maconha, também não vi mulheres nuas no Red Light District, mas na realidade eu vi um país em que a preocupação com o meio ambiente, qualidade de vida e respeito entre as pessoas me surpreendeu.

Fernanda Passos

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Apaixonada pela Experiência do Usuário, Product Manager e agora viajante!

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