Ainda sobre Trump e o meio ambiente

É muito fácil odiá-lo. Difícil é aceitar que o mercado esteja de acordo com suas ações.

Há alguns meses escrevi um texto sobre o significado da vitória do Trump para o meio ambiente. Lembro de ter ficado irritada com a quantidade de mensagens negativas que estava lendo sobre essa vitória. Não é que eu subestimasse os aspectos negativos da situação, mas o mundo não acaba só porque “nosso” candidato perde. E sigo pensando assim, aliás.

Passadas as primeiras horas da posse algumas das promessas de campanha mais bizarras já começam a ser cumpridas:

  • Acaba de ser aprovada a construção do muro entre EUA e México
  • É assinado o decreto para retirar os EUA do acordo Transpacífico
  • Cai o veto para a construção de dois oleodutos — um deles passa no meio de uma reserva indígena e outro servirá para o transporte de betume, conhecido como o combustível fóssil mais sujo do planeta
  • O licenciamento ambiental sofre alterações para reduzir o tempo das obras de interesse do governo.

Nada disso surpreende. Como mencionei no texto de novembro, acreditei que o mercado seria capaz de frear os impulsos de alguém tão míope em relação às necessidades do planeta e da sociedade. Por mais que aquela pessoa estivesse ali para seguir os ímpetos do dinheiro (aquele obtido no curto prazo).

No entanto o Índice Dow Jones acaba de atingir índices estratosféricos. Os apostadores estão confiantes de que os investimentos em infraestrutura e a redução de impostos na área ambiental farão com que os Estados Unidos entrem numa espiral de crescimento. Não necessariamente ligados ao bem-estar da população, diga-se de passagem.

Toda essa mudança nos rumos econômicos no país (e no mundo, ouso dizer) merece atenção. Como ambientalista quero pensar que os tratados assinados até agora serão mantidos e que esse momento louco onde as pessoas duvidam de coisas simples e já comprovadas pela ciência comece a diminuir (mais sobre essa questão aqui). Como relações-públicas vejo as empresas rebolando para lidar com as polêmicas e ativismo criados por alguém que age não apenas contra o pensamento neoliberal, mas também contra toda a noção de modernidade líquida.

Ao contrário do que muita gente diz por aí, temos que acompanhar de perto o desenrolar dessa história, e não só focar no que acontece no nosso país. Mas de uma coisa eu sei: Bauman detestaria nosso “novo” mundo.