Em um entrelaçar dos conflitos da família.
No vai e vem dos problemas financeiros — que todos temos (uns mais e outros menos).

Na loucura do dia-a-dia, ainda sem saber a bomba que viria a noite, lembrei de você.

Lembrei de você no momento que a Dani, minha gestora, comentou que a primeira chefe dela (da época de estágio) era Coachee do seu namorado. Ela comentou sobre o processo, sobre a história breve de relacionamento entre ela e sua ex-gestora. Falou cheia de carinho sobre a amizade que elas tinham até hoje, depois de tanto tempo.

Esse episódio, em particular, me fez sentir a saudade (que não é novidade) de maneira diferente. Me fez sentir uma saudade adiantada.

Me vi um pouco na Dani. A relação de carinho dela com a ex-chefe me despertou um pouco do meu relacionamento com você. Um pouco da nossa amizade no meio da relação de trabalho. Me fez lembrar do amigo (grande amigo) que existia no meu CEO/founder.

Quis falar de você dessa forma… Assim como a Dani falava da ex-chefe dela. Falar de você em um momento parecido… “Ah, o Raulo foi meu primeiro chefe, e hoje a gente foi tomar uma cerveja e ele me contou como é estar aposentado aos 40”. “O Raulo, meu amigo, foi em casa jantar hoje e caramba depois de 15 anos ele ainda acha que manda em mim”.

Queria poder falar de você no presente.

Falar de você na constância.

Falar de você em vida.

Tive saudade de algo que não aconteceu.

Senti saudade da possibilidade.

Das possibilidades de encontro e reencontro.

Da possibilidade da troca.

Da possibilidade de você no aqui-agora.

Que saudade, Raulo.

Apesar dessa saudade não ser a mais gostosa do mundo.

Da dor da perda ainda estar aqui.

Você continua sendo chão.

Sendo possibilidade, mesmo que no simbolismo da caminhada.

Frente a tua perda, a tua impossibilidade de encontro comigo, tudo se faz tão pequeno.

Tudo se faz tão possível de resolver.

Sei que a única coisa que não vou resolver na vida é a saudade que tenho de você.

O resto: família, brigas, problemas de trabalhos, dívidas, desencontros — a gente resolve, dá conta, desapega, concerta.

Enquanto há vida, há oportunidade. Há outro dia. Há sonhos e realidades.

Há transformação.

Enquanto morte, existe saudade.

Existe dor, existe ressignificados.

Existe vontade-dor que se transforma em arte, em raiva ou em força.

A saudade inunda tudo.

A saudade transforma porque ela é real em mim, que vive ainda.

Você vive através de mim. Já falei isso.

O sentimento de ti é você no mundo.

É o que resta de você.

E o que resta de você é tão magnífico-maior-melhor que tudo isso.

Sei que posso tudo enquanto com você.

Em-com-conto-contra-contro com você.

Te amo.

Obrigada por a saudade antecipada ainda ser mais força do que qualquer outra coisa.

Obrigada por me humanizar nesse furacão.

Me dar humildade.

Me lembrar do positivo da vida.

Das possibilidades. Enormes. Presentes. Reais. Vivas.

Vivo (por-com-sem) você. Vivo, me transformo.

Mudo, mudo a forma de ver, de posicionar. De mostrar a minha essência.

Mudo, tudo muda. Muda e continua o mesmo.

O sentimento no mundo de você se faz real sempre de maneiras diferentes.

Tudo muda. Tudo transforma.

Mas tem coisas, que graças à Deus (ao universo, ou a qualquer coisa que você acredite), continua o mesmo (mesmo quando muda), pela finitude da vida e infinitude do espírito: você.

Você. Meu amor por você.

A coisa mais real e importante do mundo. No aqui e agora.

A possibilidade de ter você em vida, em momentos de construção. De trocar . De doar e receber tanto. De aprender tanto. De ser um pouco você depois de tudo.

Tudo mudo, tudo transforma. A beleza da vida está nisso.

Mas está na perenidade do amor também.

Talvez mais do que na própria vida.

Talvez a vida seja o amor que a gente sente nela e fim.

Fim?

Fernanda Ribeiro R. R.

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