Meu coração estava partido, despedaçado. Ela tinha estragado o dia, que havia amanhecido tão lindo.

Palavras são poderosas, avassaladoras. Eu não podia acreditar que ela não me queria como parte da sua vida. Justo eu, que nasci dela.

Eu que nasci dela e de tão dela fui. Ela me teve, mas eu nunca tive ela.

Ela me deu a melhor educação e me levou ao médico quando ficava doente, mas ela cuidava de mim? Não consigo lembrar…. Minhas emoções estão bagunçando com minhas memórias. Não consigo me lembrar de momentos meu-e-dela.

Ela sempre falou: “a gente não tem uma relação ruim, como algumas mães e filhos”. Claro, talvez não tenhamos uma relação ruim porque — na verdade — não temos uma relação. Somos, tão somente, duas solitárias dividindo o mesmo teto e os mesmos perrengues financeiros. Dividimos o sangue, mas o que somamos, afinal?

Me dói ver isso dessa forma. Me dói, me destrói. A única pessoa que devia me amar incondicionalmente, não me ama, será?

Não consigo sentir amor. Ela sempre disse que dor e amor andavam juntos… A dor está me cegando. Será que é essa dor que me impede de sentir amor? Que nos impede?

A dor é amiga de infância, sempre presente, sempre vai e vem, sem bater na porta. Por que raios não bate na porta? Assim poderia me preparar, pelo menos.

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