Fernanda Rossini
Aug 27, 2017 · 2 min read

Raspei na 4 meu cabelo de novo no aniversário de 3 anos que acabamos (mentira, vai fazer 3 ainda ou quase 4, não sei bem).

Quando a data chegar, ele terá crescido até o ombro. Algumas coisas mudam rápido.

Enterramos meu sobrinho e minha irmã naquele ano. Um atrás do outro.

Larguei a faculdade em fevereiro. Ainda não voltei. Acho que cansei de ser forte, de passar todo dia na Pedro II e tentar não chorar. Dei espaço pras coisas se ajeitarem.

É solo úmido e chorume que faz as flores nascerem.

A Tatá nasceu próximo do teu aniversário. Ela é uma luz muito forte, pulmão e coração também.

Meus pais se mudaram para o interior. Eles tem uma vida parada, mas boa lá. Produzem os maiores ovos caipiras que já vi, e o velho pegou 3 vira latas que são bonitos de tão feios.

Pintei o banheiro de casa hoje. Branco fosco, mas, eu quero mesmo ele azul. Talvez um azul claro, na metade da parede.

Faltou o teto. Fiquei com preguiça e vim deitar, tomar um café e escrever. Hoje o quintal está quieto, só os sons de passarinhos e de um vizinho tocando Pablo.

As vezes, no meio do expediente, de uma conversa ou de uma cerveja, eu lembro de ti. Não aperta mais meu peito de saudade, me falta ar nem nada. É lembrança da presença.

Leio muito sobre termos como superação, responsabilidade afetiva, amor próprio e etc; mas, acho que há lições que são só digeridas com muito tempo e paciência. Na superfície é tempestade, mas, há tempos que a calmaria se instalou.

Você me ensinou muita coisa. Te perder me ensinou muito mais. Eu era uma coisinha e isso me permitiu ter tempo e me dar crédito toda vez que eu caia e me erguia.

As flores estão desabrochando. Você não está aqui.

Mas eu estou.

No fim das contas, a presença ilustre chegou.

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Fernanda Rossini

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O resultado da organização do caos é a escrita