Nanocontos #2

Era dramático e com muita criatividade. Mas nunca poderia imaginar que morreria envenenado ao confundir Pinho Sol com Aperol.

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Sempre lia a última página dos livros que comprava. Tinha medo de morrer antes de chegar ao fim da história.

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Nunca tivera coragem de falar para o marido que detestava gatos. Sempre deixava o bicho fugir, mas invariavelmente ele voltava. E com uma barata entre os dentes.

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Era das uvas passas que ela mais gostava nas farofas de natal.

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Tinha um perfil fitness nas redes sociais, mas trocava relacionamentos duradouros por miojo todas segundas enquanto assistia Tela Quente.

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Comprava cigarros no varejo só para paquerar o jornaleiro. Desenvolveu um enfisema e parou de fumar, mas adotou um cachorro só para ter que pedir jornal velho na banca.

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Continuava a ter duas escovas de dente na pia.

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Ela achava bonitas as Crocs. Assumiu o rótulo de moderninha para poder sair com as malditas sandálias na rua.

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Todas as vezes que precisava pensar em uma paisagem tranquila na meditação, ela imaginava os tênis deles dois enfileirados na porta de entrada da casa.

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Ele tinha azia por causa do café, mas continuava tomar uma xícara toda tarde só para passar em frente a mesa do estagiário que tinha visto no aplicativo de pegação.

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