Liberar e reavaliar

Chega por vezes um momento de acertar as contas. De repensar. De tomar consciencia e atitudes. Pode vir num domingo pela noite, num periodo pre menstrual, onde a sensibilidade fica aguçada.

Foram várias coisas essa semana. Começando pela mais simples. Que hoje joga em meu futuro. Eu me esquivei de investidas de meu orientador de tese. Eu salvei os emails, muito educados e formais, que não podem guardar nenhuma acusação grave. Mas sendo mulher a gente sabe. Porque não é normal convidar para o restaurante e depois encontrar desculpas para um cinema. E isso me causou um ano de não diálogo com ele. De um trabalho de luto e luta, calada, sozinha. Hoje eu pago o preço, como pagaria se tivesse denunciado. Eu não tenho ninguém que me dê apoio ou que me ajude no QI do mundo universitario. Hoje somos um grupo de desempregados formados buscando nosso espaço sem proteção. Mas os homens não tiveram que passar pelo que eu e outras mulheres passamos. Estou triste e fragilizada.

Já são quase dois anos de busca de emprego depois do doutorado. Nesses últimos 5 meses foram mais de 27 candidaturas em diferentes universidades. Estou só recebendo respostas negativas. Nem para entrevistas eu vou.

Eu sei que venho de posição privilegiada, que tive um percurso de privilegiados. Sofro ao pensar que para os outros é mais osso.

Os empregadores em profissões não especializadas não querem saber de mim. Não valho o investimento por ser over qualified.

O tempo não é clemente, nem sempre se colhe o que se planta. Abro as portas, quero trilhar caminhos. Tenho que me reinventar.

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