Mais um concurso. Mais uma decepção. Mais uma farsa mal encenada. Não sei porque me chamaram. A ler a lista de candidatos era claro quem levaria. Apesar de haver dois candidatos da casa era o mais jovem, de 55 anos, a levar, ao invés de um que já poderia ter se aposentado, de 63 anos. O que vim fazer?

Acordar. Porque não quero precariedade e não quero injustiça. Adeus vida universitária. Anos investidos num percurso sem futuro.

Resta reinventar o que serei. Do que gostarei. A vida que virá.

Pode ser que recomece tudo. O país, o amor, a profissão, os planos. Reciclagem total. Recomeço. Sem medo.

Saiu numa tribuna do Le Monde o texto de um coletivo que participo "Docteur.e.s sans poste" onde dizemos que, na França, mesmo um diploma universitário mais elevado é um passaporte para a precariedade. « Aujourd’hui, en France, même le diplôme universitaire le plus élevé est un passeport vers la précarité ». O que podemos tirar como conclusão é que estamos lutando juntos por um futuro em que nosso conhecimento e qualidades sejam devidamente valorizados.

Não pode ser normal que o conhecimento especializado te permita ter um trabalho precário ou o desemprego como recompensa. Há um problema com os que estão no controle.

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