Mais uma etapa de caixas

31 anos. Quase 32. Ao preencher as enquetes da adolescencia aos 25 anos estaria casada. Aos 31, já velha e com filhos. Que bom que as perspectivas mudam e que não foi bem assim. Foi um pouco assim. Não houve casamento, mas longa relação. Não houve filhos (e ainda bem). Mas creio que nesse jogo de expectativas, quando se é adolescente, vemos a vida aos 32 anos com estabilidade.

Se me dissessem naquela época que aos 32 anos eu teria passado 11 anos de minha vida morando na Europa, estudado e lecionado nas melhores universidades. Que seria uma pós-doutora…. eu estaria pensando que eu seria grande.

Não estaria errada no todo, mas novamente teria errado na estabilidade. De pouco me valeu tamanha educação. Profissionalmente. Os exemplos ao meu redor provam que menos eu estudo academicamente, mais estavel eu estou financeiramente. Fiz o diametralmente oposto. Estudei demais — e demais é uma palavra errada, pois estudos são para sempre, para crescer e se transformar. Dinheiro sim, esse eu acredito que nunca é demais. Cada passo dado custa. Tudo custa. E eu não recebo à altura.

Minha mãe não se conforma como um trabalho na área de educação possa ser sinonimo de desemprego. Não é. Mas também não significa dignidade.

Mais uma etapa passa, mais uma vez caixas. Já ouvi dizerem para que se desejasse uma mudança de casa para seu inimigo. Parece que acumulei muitos. Em menos de 12 meses já passei por 5 países e 6 casas diferentes. Claro que cada experiência conta. Não ter a estabilidade (e a responsabilidade que as vezes a acompanha) é bom. Um coração cigano, que se adapta muito rapidamente (sobrevivência?), línguas variadas que manejo com facilidade, encontros e descobertas, mas faz falta poder fazer escolhas.

Digo escolher mesmo e não ser escolhida. Sequestro financeiro (quantos de nós não somos vitimas? Países em crise, falta d eoportunidadesm etc, criando eternamente famílias separadas pelo mesmo motivo, dinheiro — trabalho). Eu escolhi viver na Europa. É onde quero estar. Mas pode ser que não seja. Porque não há como. Só portas fechadas. Entre muita qualificação e pouca qualificação, sem as conexões necessárias, sem o possível para o sucesso.

Vão me levar daqui. Vou voltar para casa de meus pais. Vou ser dependente de novo. E talvez ter que levar a vida que todos temem, mas que o dinheiro obriga. Por isso, porque a vida me sabotou, quero também me sabotar. E não ser quem pensei ser. Escolher ser infeliz, por um tempo, para sofrer mesmo. Fazer algo que seja uma loucura e que, por sorte, seja algo que me faça feliz. E que não sabia nem planejei. Para que a infelicidade seja só o medo.

Ou não. Pode ser que o que eu planejei e tanto desejei aconteça. E não seja o que eu queria. Mas pelo menos foi. E eu tentei. Me dê uma chance, me dê um emprego.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.