Quem motiva o CEO?

Em tempos de crise, se abater e perder a motivação é normal

Nos últimos meses, a crise política e econômica que o Brasil está mergulhado há quase dois anos, se agravou. Tenho conversado com diversos empreendedores e posso afirmar que o sentimento é o mesmo em 90% deles: apatia e desânimo sem conseguir enxergar luz no fim desse túnel.

Uma pergunta que sempre me fiz: quem motiva o empreendedor/CEO? Sim! É nossa função manter a equipe motivada, animada e inspirada. A gente é a fonte disso. Mas quem faz isso por nós?

Não é raro, em condições normais (leia-se sem crise no país, com prospecção e contratos sendo fechados dentro do previsto), nos dar vontade de desistir de tudo. Costumo dizer que, um empreendedor normal, pensa sobre isso, no mínimo, duas vezes ao ano. Tenho amigos empresários que disseram que fui generosa nesse cálculo. Normalmente, são incontáveis vezes ao longo do ano. E isso ocorre por diversas razões. Enumero algumas:

  • Não termos tempo para a vida pessoal;
  • Trabalharmos como loucos e termos incontáveis crises de estresse;
  • Pensarmos que no mercado de trabalho ganharíamos mais dinheiro do que retirada que estamos fazendo da empresa;
  • E até mesmo a tão abominada estabilidade salarial passa a ser encantadora no mês que não conseguimos fazer retirada da empresa.

De louco, todo empreendedor tem um pouco

Mesmo com todos esses motivos que nos leva a querer desistir, empreender é, ao mesmo tempo, o que a gente mais ama fazer. Internamente, vivemos numa dicotomia louca. Uma montanha-russa de emoções! Como a Endeavor costuma dizer: nós somos loucos. E eu tenho que concordar; nós gostamos da adrenalina e todos os motivos acima são os que nos dão adrenalina. Não existe um empreendedor que não goste de andar nessa corda bamba, viver esse risco, mesmo que seja um risco calculado. Costumo dizer que empreender é uma cachaça, um vício e que a gente não consegue viver sem. Por mais que, vez ou outra, ou de vez em sempre, pensamos em desistir.

Confesso que, todas as vezes que penso em desistir, eu me faço algumas perguntas. Recomendo que todo empreendedor, também, se faça as mesmas perguntas: Por que eu resolvi abrir uma empresa? E o que me mantém à frente dela? O que ainda me motiva? Não existe uma resposta certa. Cada pessoa tem os seus motivos e suas respostas, mas existe um motivo que é comum a todos os empreendedores: se você tem funcionários, cada um deles tem família e conta contigo, naquele momento, para manter o emprego deles. Pode ter certeza, todas as repostas que procura está dentro de ti e só você pode saber o que é certo ou errado para os seus propósitos.

Recentemente, ouvi uma metáfora de um empreendedor do Rio de Janeiro, que retrata muito bem esse sentimento de nos manter a frente do negócio: véspera de carnaval você pega a estrada para a Região dos Lagos, chega na ponte Rio-Niterói e ela está completamente parada. O que fazer? Não existe saída depois que você começa a atravessá-la, a não ser esperar o tráfego diminuir para que você consiga chegar do outro lado. Não há outra opção a não ser, ficar ali e, pacientemente, esperar que o trânsito flua. Não tem retorno! Não tem saída para esquerda e nem direita. Você já foi longe demais para desistir. A única opção é seguir em frente!

Não importa o que aconteça, continue a nadar!
One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.