Ladeira (ou Quitaúna, 14/10/17)

Bródas

Não tem sido tempos fáceis. São dias difíceis de se viver. Nem precisa estar tão perto para se notar. Ao menos não desde 18/01/2016. Eu tenho fresco na minha mente, como se fosse ontem, dois ou três dias antes do ocorrido eu na casa do Ever, dizendo “as coisas estão boas demais ultimamente. To até estranhando”. Pois bem, nunca mais falo isso haha
Desde então tem começado uma “ladeira”. Queda livre mesmo, ladeira abaixo. Uma sucessão de eventos, que parecia ininterrupta. Problemas mentais realmente se tornam físicos. Meu corpo não era mais o mesmo. Sim, eu engordei(não precisam perguntar, ta?), consideravelmente. Mais peso junto com menos impulso(ideologicamente falando), menos força de vontade, mais cansaço mental, enfim..é matemática óbvia, tudo isso somado dá menos velocidade.
Já faz quase 1 ano e 9 meses desse primeiro evento. Eu procurei me mudar e remudar em busca que a ladeira sumisse se eu fosse por outros caminhos. Mudei de tudo. Casa, cidade, casa de novo, trabalho, trabalho, escola, curso, trabalho, amizades. Mas, não importa o lugar, a ladeira parecia continuar. E, ironicamente, minha vontade de sair parecia cessar. Embora puxado por uma ladeira, era cada vez mais comum ficar parado.
O caminho da minha casa até a estação Quitaúna está com certeza entre os 5 caminhos que mais fiz na vida. Andando, de ônibus, correndo, mais recentemente de carro(por incrível que pareça nos tempos atuais, nunca de Uber). No auge dos meus 15–16 anos eu chegava a fazer em 20, até 18 minutos. Me lembro do dia que fui do centro de Carapicuíba até minha casa. São 5kms e meio. Mas na época nem pareceu, nem importou. Eu estava num dos dias mais felizes da minha vida, me sentindo disposto, como se pudesse ir á qualquer lugar. Sabe, parece tudo uma metafora sobre caminhar, mas é mais que isso, nem é bem uma metáfora. É que notei que é proporcional para mim: quanto melhor eu estou(físico e mental) mais eu ando. E mais fácil eu ando. E bem, como comecei dizendo, não tem sido tempos fáceis para andar.
Então, finalmente, chegamos a ontem, 14/10/17. Era dia de ver o Everton, evento quase que religioso na minha agenda, pois não é sempre que ele pode vir do Paraná até aqui. Eu não me reparei sair de casa. Nem notei como cheguei até a estação. Só fui, a pé, sem pensar no tempo. E, apesar dos meus 10kg acima do peso, eu senti que estava leve. Que andei rápido, que, mesmo no puta sol de 34ºC que tá em SP, eu não soei/suei(porra, não sei escrever essa palavra haha). O tempo parecia flutuar. Foi um daqueles momentos que me fazem acreditar que o tempo, realmente, não existe.
Então, chegou meu evento religioso. Não é nada “grandioso”, como precisa ser para alguns, as vezes até para mim. Nos encontramos, comemos, tomamos suco, uma cerveja no máximo. E conversamos, sobre nada exatamente. Só ia surgindo, sem pressa ou obrigação. 3 ou 4 horas depois precisamos nos retirar.
Veio a volta então. A volta é sempre pior que a ida, pois:
1. Você naturalmente está mais cansado
2. Na caminho da ida até Quitaúna, a maioria é descida. Logo, na volta, a maioria é subida
Mas novamente eu não notei. E dessa vez começou a chover. Estava muito calor, então uma chuvinha seria realmente bom. E essa era uma das bem refrescantes. Eu sei porque eu a senti. Porque, mesmo na chuva, eu não senti ou pensei que devia esperar. Pra ser sincero, nada passou na minha cabeça. Eu só continuei e, como em raras vezes na vida, busquei e consegui aproveitar a chuva.
De repente eu notava: A ladeira parecia menor, física e figurativamente. O cansaço parecia menor. A queda livre dava, enfim, impressão de que seria interrupta. Não vou afirmar porque né, eu sempre posso estar errado e queimar a língua. Mas a queda livre não parece estar mais tão livre. A ladeira parecia mais reta, estável, confortável, tranquila.
Foi, apesar do feriado prolongado, uma semana cheia. Eu tive psicóloga, fui levar roupas para doação, vi meus melhores amigos(tudo na cidade vizinha, Barueri, que as vezes para mim é tão importante quanto Osasco), fui renovar meu cartão de ônibus escolar de Osasco, visitei minha avó, dei minhas 7 aulas na semana e, para variar, fui os 3 dias de aula para a Etec(não é irônico não, é uma variação mesmo eu ir todos os dias de semana pra aula haha)
Enfim, é só isso, associações loucas na minha cabeça que quis compartilhar. Lembram aquele babuíno no fim da segunda temporada de Bojack dizendo “Fica mais fácil. Você tem que tentar todo dias, essa é a parte difícil. Mas fica mais fácil” ? — Então, não sei se ele está totalmente certo, nem tenho como saber. Mas que está ficando mais fácil passar pela ladeira, está.

Obrigado a todos os envolvidos(ai é com vocês, quem se achar no direito e merecedor que vista a carapuça, gosto de apontar/marcar não haha). Exceto essas pessoas que tive que marcar(postar a foto, no caso), afinal são muito importantes e foram justamente a válvula do dia que percebi tudo isso, 14/10/17

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