Dicas do Arquiteto: o desenvolvimento de projetos de IoT na Saúde

Palestra sobre IoT, Saúde e Tecnologia no IoT Latin America 2017 em 12/09/2017

Nesta última terça-feira, dia 12 de setembro, participei de um evento chamado IoT Latin America. Estive lá com o objetivo de falar sobre minha atuação com Internet das Coisas e um pouco sobre os produtos e soluções da Oracle nesse contexto.

Para passar um pouco disso para vocês também, eu vejo a Internet das Coisas como uma das grandes transformações introduzidas pela 4a. Revolução Industrial. A tempos temos dispositivos e sensores, capturando um ou outro dado. Mas hoje temos esses dispositivos e sensores capturando dados e mandando isso tudo para repositórios de informação permitindo uma série de análises e descobertas que até então eram impossíveis de serem feitas na velocidade necessária.

Eu gosto muito deste vídeo do Fórum Econômico Mundial falando sobre a 4a. Revolução Industrial. É fantástica a sumarização e o potencial de uso de muitas tecnologias mostradas no vídeo. Se ainda não viu, recomendo. Vale a pena ver.

A série Black Mirror talvez assuste um pouco com algumas predições quanto aos perigo da tecnologia. No episódio White Christmas temos vários exemplos disso. Prometo não dar spoilers até porque tem algumas coisas muito interessantes neste episódio e vale muito a pena assistir. Mas lá se apresenta um dispositivo bem interessante e que é responsável por controlar uma residência de acordo com os gostos da pessoa que mora no local. Para isso se “extrai” um pedaço do cérebro e usa isso para cultivar e adestrar o equipamento, para assim fazer tudo que o dono do equipamento precisa para a casa: horário de acender as luzes, de apagar, quando disparar um alarme, qual rádio e música ouvir, enfim — tudo antenado com as características da pessoa.

A construção dessas soluções tem evoluído muito nos últimos anos. Considera-se um mercado enorme, de mais de 50 bilhões de dispositivos conectados em 2020. O mercado de wearables (ou vestíveis — detesto este termo) será de mais de USD 53 bilhões. Com um impacto enorme em nossas vidas.

E na Área da Saúde? Eu acredito que é onde o consumidor comum consegue mais ver esses dispositivos sendo aplicados. Alguns anos atrás eu comprei um produto chamado Fitbit — era uma medidor de passos eletrônico, que eu poderia usar como um relógio ou no bolso da calça por exemplo. Era bem simples e indicava quantos passos eu dei naquele dia. Eu achava muito interessante e eu usava como referência para atingir pelo menos 5.000 a 10.000 passos diários. Mas eu achava complicado a sincronização para fazer o upload dos dados… acessar bluetooth, conectar, sincronizar. Feito isso, os dados estavam lá, na nuvem, para serem consultados.

Também fiz uso de outro equipamento muito interessante: uma balança conectada a Internet. Eu não precisava fazer nada — simplesmente subia na balança, ela media meu peso e calculava índices como massa magra e massa gorda. Essa balança conseguia inclusive identificar pessoas diferentes. Eu achava fantástico porque antes do efeito sanfona que aconteceu comigo, eu usava a balança para ver meu progresso ao longo do tempo.

O tal efeito sanfona é outro assunto que foge ao escopo desse artigo. Mas ter um acompanhamento dessa forma quanto ao comportamento e quanto a evolução das atividades físicas combinada com a alimentação é muito relevante. Agora, imagine ir um pouco além disso: essa empresa sabe como eu me comportei. Mas também sabe como várias outras pessoas se comportaram. Ela tem em mãos uma massa de dados incrível para estudar tendências, projeções, correlacionar perfis de usuários, estimular determinados tipos de atividades para determinado objetivo. Enfim, um potencial gigante que se apresenta com o mundo da análise dos dados e Big Data.

Mas, vamos voltar a falar de IoT. É fantástico hoje se ter a possibilidade de encontrar dispositivos e sensores para as mais diversas situações. Nesses anos trabalhando na Oracle tive a possibilidade de me deparar com alguns desses projetos. É muito interessante ver indústrias como Financeira, Saúde, Utilidades e mesmo Setor Público estão vendo muitas possibilidades com tudo isso.

Eu comecei a falar sobre dispositivos de Fitness e Bem-estar. De fato essa é uma grande linha de engajamento entre o Paciente e os Provedores de Saúde enquanto entidades ou com o Médico. Isso se tornou muito fácil hoje em dia pois o médico pode ter tudo a sua disposição e muito rapidamente, inclusive com análises automáticas para facilitar o diagnóstico.

Como é desenvolvar para IoT? O ecossistema hoje é muito grande, pois existem fabricantes de sensores, dispositivos, meios de comunicação, plataformas analíticas e várias outras frentes que são necessárias para um projeto completo. Porém eu gostaria de colocar nesse artigo algumas mensagens sobre o desenvolvimento para IoT de acordo com o modelo simplificado abaixo, onde temos três passos básicos:

O primeiro passo é o da Captura dos dados. Nesta fase os sensores serão usados para registrar os dados de interesse que serão capturados pelo dispositivo. Neste passo o principal objetivo é obter o dado de interesse. Em algumas situações se pode também querer fazer uma análise em tempo real dessa informação e no próprio dispositivo — por exemplo, numa situação mais crítica ou com risco de vida. Em outras, essa informação pode ser guardada em outro local para análises futuras, quando passamos a nos preocupar com a conectividade.

O segundo passo envolve Conectar, agregar e transformar. Aqui temos a preocupação sobre o que fazer com o dado. Enviar para outro dispositivo? Guardar num repositório? Tratar a informação de alguma forma? Os principais pontos a verificar aqui são:

  • dados gerados estão seguindo algum padrão aberto?
  • o ambiente de armazenamento disponível é suficiente para qual capacidade?
  • os dados podem ser guardados numa base de dados ou num armazenamento em nuvem?
  • a transformação deve ocorrer no dispositivo ou pode ser realizada em outro ambiente? Por exemplo, num processamento na nuvem.

Note que aqui queremos de fato dar um tratamento e ter um maior valor a partir do dado que conseguimos extrair. Queremos fazer isso não para algo local mas para integrar isso com capacidades de análise que serão importantes para tomadas de decisão seja próximo ao tempo real seja no futuro.

E por isso temos finalmente o terceiro passo que é o de Interpretar, analisar e concluir. Nosso dado foi capturado e tratado. Agora podemos avaliar essa informação a partir de várias perspectivas. Numa perspectiva individual podemos avaliar os dados e avisar sobre uma determinada condição. Ou ainda correlacionar com dados históricos. Numa perspectiva mais ampla, podemos agregar dados de diferentes dispositivos e de diferentes indivíduos para tentar obter relações, tendências, prognósticos. Podemos avançar de relatórios analíticos a Big Data.

Com o ciclo completo podemos finalmente extrair todo o potencial trazido pela adoção intensiva de sensores e dispositivos. Dessa forma as informações estarão facilmente acessíveis e poderão ser analisadas e exploradas convenientemente. O potencial da Internet das Coisas vai se tornando cada vez mais real.

Agora… sobre o que ainda não falei? Pois é… sobre segurança. Esse é um aspecto muitíssimo importante para aplicações em IoT. E se falamos ainda de Saúde, temos uma série de informações importantes que devem ser protegidas. Atenção especial deve ser dada a segurança, seja no nível dos dispositivos seja no nível da Análise dos dados. Sensores e dispositivos devem ser tão protegidos quanto as informações armazenadas em banco de dados ou outros repositórios.

Quer saber o que a Oracle possui e que pode te ajudar? Veja:

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Fernando Galdino é Arquiteto de Soluções para o Setor Público da Oracle do Brasil. As opiniões emitidas neste artigo são de caráter pessoal e não representam as opiniões da Oracle ou de seus empregados.