Software de Design Precisa Ser Modular

Ou, “Por que produtos de design separam funções pelo tamanho da equipe?”

O acesso ao ensino e às ferramentas de design mudou bastante desde que comecei em 2005: você pode alugar software por taxas mensais ao invés de comprar versões anuais; você pode aprender as últimas técnicas em cursos online ao invés de se deslocar até workshops caros; pode comprar livros e ler artigos na internet sem esperar a versão traduzida aparecer na biblioteca da universidade. O design como profissão mudou de grandes agências para pequenas equipes e escritórios residenciais, mas o tamanho da equipe e seu orçamento ainda dita quais funções você terá no seu software.

Muitas das novas ferramentas de design ainda tratam pequenas equipes e autônomos (ou designers sozinhos em empresas) como “menos profissionais” ou “não tão inclinados a usar ferramentas avançadas” quando comparados a grandes equipes. Para uma grande parte das empresas oferecendo ferramentas “SaaS” (Software as a Service — Software como Serviço), tamanho é igual a proficiência. Em alguns casos nem existe uma razão real para dividir as funções da ferramenta em planos diferentes além de forçar o usuário a pagar mais pelo produto.

Vejamos, por exemplo, uma das minhas ferramentas favoritas, o UXPin. O UXPin é uma ferramenta de prototipagem que testei por mais de 2 anos e com a qual desenhei inúmeros projetos. Ele tem algumas funções incríveis como gerar automaticamente as guias de design para um projeto. Porém, esta função é comercializada para “equipes de tamanho médio”. Eu me pergunto o que faria um certo número de designers juntos precisar mais de uma ferramenta de documentação do que um designer único ou um autônomo.

O UXPin vende, precifica e limita as funções por tamanho de equipe. Eu me viraria com 25 projetos, mas preciso da geração de documentação automática.

Outra ferramenta excelente, o Webflow, permite que você desenhe sites ou protótipos numa interface inteligente. Contudo, o plano “solo” oferecido não permite que o código do site seja exportado. Eu entendo, é um plano grátis, mas se você vai me oferecer hospedagem para este plano, pelo menos me dê a opção de pagar uma taxa para ter uma cópia do código.

Webflow só permite alguns planos exportarem o código. Eu só preciso de um site, mas preciso do código também.

Do mesmo modo, a Adobe tem planos de produtos “8 ou 80”: você ou paga pouco pelo Photoshop e Lightroom, ou paga muito pelo Photoshop com outros quarenta aplicativos que raramente usaria. Não há um plano otimizado para designers, que incluiria — na minha opinião — o Photoshop, Illustrator, InDesign e After Effect e custar muito menos.


Monte seu próprio software

Tudo hoje em dia é passível de personalização. Você pode desenhar suas canecas, almofadas e edredons no Zazzle, seu próprio controle de Xbox ou celular Motorola, pode montar um PC peça-por-peça (ou que alguém o faça por você) mas não pode escolher as funções mais importantes do software profissional que utiliza.

Sim, você pode pagar mais por um plano melhor, mas você pode arcar com este custo? Uma única função se traduz justamente em US$20 a mais por mês? E mesmo em uma equipe grande, isso justificaria US$20 a mais por usuário por mês? E quanto às funções que você não utiliza mas não pode remover e pagar menos? Eu adoraria não ter que pagar pelos filtros de Photoshop que não uso desde 1999 ou pelas funções de fotografia, que não é meu campo.

Protótipo do telefone celular modular da Motorola, “Project Ara” — construa seu celular e pague só pelo que precisar

Isto pode ser feito

Uma empresa que faz isto corretamente é a PreSonus. Eles fazem um dos melhores DAWs (software de produção musical) da atualidade, o Studio One. Este software tem versões grátis, para pequenos artistas e para estúdios profissionais. Apesar de cada versão ter funções diferentes para públicos diferentes, o consumidor pode comprar funções separadamente (como plug-ins) que estariam disponíveis apenas nas versões mais caras. Por exemplo, a versão grátis não vem com a habilidade de exportar MP3, mas você pode comprar esta função e instalar sem pagar por um upgrade de versão.

A PreSonus vende funções e plug-ins das versões mais caras de seu software para que usuários da versão gratuita ou intermediária possam personalizar o software de acordo com suas necessidades

Está na hora de softwares como serviço deixarem as divisões de planos e degraus, deixando os consumidores pagarem por aquilo que precisam. Eu e muitos outros designers não se importariam em pagar pelas funções contato que não fiquemos à mercê de planos caros e funções supérfluas por causa do “tamanho da equipe”.

Não é parte do trabalho dos desenvolvedores de SaaS definir o nível de proficiência ou profissionalismo de uma equipe ou quais ferramentas ela precisa de acordo com seu tamanho. Guiar os usuários para um conjunto de funções baseado em seu perfil é bom um bom projeto de experiência do usuário, mas limitar usuários experientes a certos grupos de funções ou conhecimento estereotipados é projeto de experiência ruim.

Like what you read? Give Fernando Lins a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.