O incêndio e a culpa

Fernando Antunes
Sep 5, 2018 · 13 min read

A tragédia do Museu Nacional e seu reflexo em uma sociedade contaminada pela projeção de responsabilidade

O Museu Nacional pegou fogo. Acho que não precisava falar isso. O assunto é o mais comentado essa semana em todos os meios de comunicação e boa parte de nós tivemos a oportunidade de ler todos os tipos de comentários a respeito do assunto. Assim como a morte de alguma celebridade que muitos sabem o nome, mas poucos conhecem de fato quem morreu, tivemos acesso à desabafos de tristeza profunda, opiniões críticas, relatos de colaboradores, ponderações políticas, responsabilização de gestão, de governo, da iniciativa privada, etc. Mas em nenhum momento eu vi reconhecimento de responsabilidade, seja qual for e de qualquer lado que seja.

Como cidadão brasileiro, sinto que tenho o dever de conhecer a minha história e meu patrimônio. E, nesse caso, o estado, ao qual deleguei a responsabilidade de ser o guardião desse patrimônio, falhou brutalmente nessa missão. Desde domingo, não vejo absolutamente nenhum representante desse mesmo estado pedindo desculpas. Porém, apesar da culpa, não quero transferir a minha tristeza única e exclusivamente para o estado. Ele, de fato, foi culpado. Mas eu também tenho minha parcela de responsabilidade.

Por que? Fui apenas uma vez no Museu Nacional. Isso deve ter sido em meados da década de 80, quando tinha algo em torno de 10 anos de idade e ainda morava no Rio de Janeiro. Meu pai, quando ainda era vivo, me levou até a Quinta da Boa Vista depois do meu pedido quando assistíamos a um programa de televisão sobre o Museu. Mesmo morando próximo na ocasião, não retornei mais. Pois é. E não fui nem em uma excursão da escola, que, apesar de organizar anualmente passeios para o muito menos importante “Vale do Ipê”, não me incentivou a visitar uma das principais riquezas nacionais. Mas sobre a escola vou falar mais adiante.

Continuando com meu arrependimento, sempre pensava em retornar ao museu quando estivesse no Rio a passeio por períodos mais longos. Queria realmente voltar para reativar a minha memória da primeira visita e perceber, in loco, toda a mistura de riqueza de acervo e descaso com a estrutura que era propagada pela mídia. Nunca o fiz. Tentei ir a outros museus, como MAR e Museu do Amanhã. Certa vez, fui até Petrópolis no Museu Imperial. Mas o Museu Nacional sempre ficava para a próxima. E agora? Agora já era.

O sentimento não acaba por aqui. Essa dor que alimenta a culpa é possivelmente alimentada por uma série de fatores que, em relações de causa e consequência diretas e indiretas, mostram que nós falhamos em vários aspectos como sociedade. Vivemos sob a imagem eterna de um povo simpático, solidário e gente boa. Porém, lendo todos os comentários e análises sobre esse caso, percebo que existe um conjunto de comportamentos que me fazem acreditar que somos (ou, na melhor das hipóteses, estamos nos tornando) uma sociedade individualista e com certa dose de egoísmo. A culpa ou responsabilidade é sempre do outro e o reflexo está por todo lugar. E o caso do Museu, infelizmente, é apenas um dos sintomas.

E se minha crítica é baseada na ausência de empatia e na superficialidade das análises com cada interlocutor baseando seu comentário de forma individual e isolada, além da falta de reconhecimento de responsabilidades, seria no mínimo incoerente de minha parte simplificar a culpa da tragédia em apenas uma causa. E, ainda assim, longe de querer decretar algo e sem ter a pretensão de discutir sobre áreas e assuntos que não sou especialista, opino, como cidadão, sobre o caso do Museu e o impacto amplo que o incêndio causou em discussões das mais diversas, além das razões que nos fazem nunca sair de um ciclo vicioso que nos mantém inertes em várias esferas.


A falta de verba do Museu

Reportagem do Jornal O Globo de 1978. Disponível em https://blogs.oglobo.globo.com/blog-do-acervo/post/reportagens-do-globo-expoem-risco-de-incendios-e-outros-problemas-no-museu-nacional-desde-decada-de-70.html

O custo anual para lavagem de carros do congresso nacional é maior que o necessário para manutenção anual de um museu de 200 anos ( https://brasil.elpais.com/brasil/2018/09/04/politica/1536015210_491341.html ).

Sim: Lava-Jato da Câmara (piada pronta) custa mais caro que a manutenção do Museu Nacional da Quinta da Boa Vista. Se procurarmos, encontraremos outras bizarrices na administração orçamentária de qualquer um dos Três Poderes da República, que mais parece uma gestão imperial pseudo-democrática com esse monte de benefícios e privilégios surreais aos olhos da sociedade. Se descermos para administrações estaduais e municipais ficaremos ainda mais perplexos.

Esses exemplos nos fazem perceber de forma clara que a ausência de verba é uma questão de prioridade sobre o gasto público. Não só no caso do Museu, mas no caso de inúmeras necessidades de serviço para a população. Especialistas da administração pública podem responder dizendo que a legislação vigente engessa e inviabiliza a gestão nesse sentido. E aí surge mais um sintoma do que comentei anteriormente: a culpa e a responsabilidade é sempre do outro, independente do foco em desenvolver um trabalho para solução do problema em si. Podemos perceber esse comportamento tanto em colaboradores da gestão pública como também, principalmente, nos políticos eleitos por nós.

E reparem: não mencionei a sangria de dinheiro público da corrupção. Esse problema nos cerca desde que o Museu era a casa do mandatário da época. E, ao invés de estancarmos essas perdas da nossa sociedade, ao longo do tempo aumentamos a burocracia para um controle ineficaz dessa prática sem necessariamente aumentar o rigor da punição dos envolvidos. E, sim, com o perdão do trocadilho, a prática da corrupção queima dinheiro público.

A imagem da reportagem de 1978 mostra que a falta de recurso não é exclusividade da gestão de governos recentes.

Após o incêndio, ganham publicidade filmes dos gestores do Museu Nacional buscando recursos de forma heróica em projetos de crowdfunding. Uma ação inteligente e louvável, independente do cenário de falta de dinheiro. Mas existem diversas outras formas para captação de recursos além dos que são destinados pelo Governo Federal à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), administradora do recurso e gestora do Museu Nacional.


A ausência de apoio da iniciativa privada e da sociedade civil

Outro tópico muito comentado sobre o caso do Museu foi sobre a ausência de apoio da iniciativa privada, principalmente, as grandes empresas nacionais e multinacionais, além das grandes famílias bilionárias brasileiras, em especial, os banqueiros.

Um dos fatos curiosos nesse aspecto é que cada um dos grandes bancos nacionais possui o seu próprio projeto na área cultural, educacional ou desportiva. O mesmo acontece com algumas das grandes empresas. Estou bem longe de buscar a beatificação de milionários, mas algo precisa ser questionado: por que essas famílias e instituições decidiram criar suas próprias iniciativas ao invés de contribuir com um bem histórico que possuía, entre outros, um dos maiores acervos de história natural do mundo?

“Não sei. Mas empresários só pensam no próprio bolso”.

Bom, levando essa afirmativa em consideração, e realizando uma análise simples, considerando apenas o eventual retorno de imagem para uma marca, me parece mais oportuno estar associado a uma instituição do tamanho do Museu Nacional do que, necessariamente, criar uma iniciativa do zero.

Ainda sobre ausência de apoio, vamos falar sobre um dos posts que apareceu na minha timeline essa semana: o caso Klabin.

O sociólogo Simon Schwartzman postou recentemente em sua página do Facebook ( https://www.facebook.com/sschwartzman/posts/10215897851066763 ), que cerca de 20 anos atrás houve um projeto de transformar o Museu em uma Fundação. A ideia era transformá-lo em organização social, entidade privada sem fins lucrativos que recebe subvenção do estado para prestar serviços de interesse público, além de outros recursos nacionais e internacionais para dar a ele as condições de preservação e funcionamento compatíveis com a importância do prédio e do acervo. Na ocasião, o primeiro recurso de 80 milhões de reais seria obtido através de financiamento do Banco Mundial ( https://oglobo.globo.com/rio/museu-nacional-teve-proposta-de-us-80-milhoes-do-banco-mundial-23036407 ).

A instituição financeira, contudo, impunha como condição à liberação dos recursos que o museu tivesse gestão independente. O projeto não foi pra frente pois, como condição estabelecida, a gestão não poderia ficar mais a cargo da Universidade Federal do Rio de Janeiro. E como já comentado, a gestão do Museu Nacional está a cargo da UFRJ até hoje.

Até o momento da publicação desse artigo, infelizmente, não encontrei informação por parte da UFRJ sobre essa proposta de financiamento, sendo comunicado atual ou de 20 anos atrás.

Mas por que essa condição rígida do Banco Mundial? Por que a falta de apoio extensivo da iniciativa privada e da sociedade civil?

A individualidade de decisão, seja pela condição imposta, seja pela condição não aceita, mais uma vez impera e ambos os lados projetam culpa no lado oposto. E a solução? Ah! Essa não foi prioridade.


Quem manda no Museu?

A administração da sede do Museu Nacional é subordinada ao Fórum de Ciência e Cultura, que por sua vez é vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro, que é subordinada ao Ministério da Educação.

Já o IBRAM — Instituto Brasileiro de Museus — é uma autarquia federal, vinculada ao Ministério da Cultura que tem o direito, o dever e a obrigação de cuidar de aspectos relacionados aos museus federais desde 2009, conforme diz a sua própria página na web ( http://www.museus.gov.br/acessoainformacao/o-ibram/ ) . Porém, curiosamente e como já comentado anteriormente, o Museu Nacional não é administrado pelo IBRAM ( http://www.museus.gov.br/os-museus/museus-ibram/ ).

Existe também o IPHAN — Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional — que também é vinculado ao Ministério da Cultura e, até 2009, tinha a atribuição do IBRAM em relação aos museus federais e deve, talvez, exercer alguma atividade de colaboração com o Museu Nacional. Porém, de acordo com o SIORG — Informações Organizacionais do Ministério do Planejamento ( https://siorg.planejamento.gov.br/ ), o IPHAN não aparece na estrutura hierárquica do Museu Nacional.

Eu tentei resumir, mas percebeu o tamanho do negócio? A estrutura organizacional de gestão é tão complexa e extensa que as necessidades práticas de gestão são engolidas em processos burocráticos intermináveis.

Fora do país, percebemos museus como pilares das atrações turísticas, mas, para não colocar mais uma estrutura no meio da conversa, prefiro nem mencionar que o Ministério do Turismo também poderia ter seu dedo no Museu.

Convenhamos: é pouco provável que alguém da área de administração veja esse cenário organizacional e o considere adequado para se atingir sucesso gerencial. Em estruturas complexas como essa, os recursos da atividade fim acabam se dividindo para financiamento da própria estrutura de gestão. No pouco que ganha e eventualmente capta na sociedade, o Museu aplica menos dinheiro em sua atividade principal.

E com toda a ausência de verba já comentada em tópico anterior em razão de uma má definição de prioridades e demonstração que essa escassez de dinheiro não data de governos recentes, fica a dúvida: por que há 20 anos a UFRJ não abriu mão da gestão para uma Fundação administrar esse patrimônio e assim, o museu receber os 80 milhões do Banco Mundial?

A priorização da manutenção do poder era mais importante do que a sobrevivência do patrimônio?

Pode parecer que essa quantidade de órgãos, agentes e colaboradores transpareça uma gestão democrática do bem público. Mas, na prática, torna-se uma confusão cara para que a projeção de culpa corra solta em diversas circunstâncias, principalmente, em um momento de tragédia como esse.


O uso político de uma relíquia perdida

Depois que pegou fogo, o Museu que poucos lembravam e que outros alguns desconheciam, obviamente torna-se a estrela da pauta midiática. E em período eleitoral, meus caros, se algo é pauta na mídia, é algo que qualquer candidato precisa se posicionar. Mesmo que nem saibam o que a Luzia representava para a arqueologia da humanidade.

Qual político quer perder poder?

E é nesse ponto que o show de horrores atinge seu ápice. Como disse antes, ninguém se responsabiliza, pede desculpas ou reconhece falhas. E não vai ser no meio da campanha eleitoral que alguém vai fazer isso, independente se algum agente responsável é ou não candidato.

Todos tem soluções infalíveis para algo irreparável. Muita iniciativa post-mortem, pouca ou nenhuma ação antes de uma tragédia quase que anunciada. Uma série de abutres se alimentando das cinzas da múmia Kherima.

A militância de cada um dos lados (e atualmente são muitos os lados!) pega carona e aproveita para dar aquela diminuída nos outros candidatos ou partidos. Os agredidos reagem. E vice-versa. E não acaba. Parece discussão da 5a série. Mas de uma 5a série que, possivelmente, nunca foi estimulada a conhecer um pouco mais sobre a sua história ou cultura.

Lembrar que o último presidente eleito a visitar o Museu foi Juscelino Kubistchek representa muita coisa do ponto de vista institucional, mas pouco do ponto de vista político. Até porque, até antes do incêndio, o interesse das massas eleitorais pelo Museu não era lá tão grande assim. E cada um com seu projeto de poder está preocupado em ganhar as eleições e não necessariamente estabelecer políticas públicas que possam ser relevantes para o desenvolvimento social e cultural. Mais visão individual, menos ação pública.


Prioridades da sociedade

Aqui é o lado onde nós, a sociedade, mostramos o nosso show de horrores. Se antes da tragédia era comum ouvir “Se não tem saúde, não tem emprego, não tem escola, não tem habitação, pra que vai colocar dinheiro em cultura?”, após o incêndio torna-se comum ouvir “Olha a nossa imagem lá fora”, “Esse país não tem jeito mesmo”. A hipocrisia em forma de mimimi social media, a vergonha da capa do New York Times. Um comportamento representado por um ciclo "infinito".

Me arrisco a afirmar que podemos transportar esse ciclo para diversas áreas além da cultura. Até porque, na minha visão, o que provoca tal ciclo é um traço comportamental da nossa sociedade e não apenas um fato isolado nessa tragédia do Museu.

Qual seria o papel da sociedade nesse caso? A divergência temporal de narrativas me parece oportuna para manutenção da visão individualista e nem um pouco holística que um assunto de tal importância merece.


Ausência de incentivo

Outro fato importante é a falta de estímulo dos agentes de educação, públicos ou privados. Lembra que falei no início do artigo sobre minha escola no ensino fundamental? Pois é. É cada vez mais comum percebermos o incentivo desses agentes em atividades extra-curriculares das mais diversas e pouco estímulo à visitação de museus ou outros ativos culturais nacionais. Algumas escolas colocam a dificuldade operacional como principal elemento justificando a falta de incentivo: museus destruídos, insegurança para os alunos, etc. Outras colocam o próprio desinteresse dos estudantes, reforçando a figura do aluno-cliente. E aí temos um novo ciclo: existe mais interesse das crianças no passeio ao sítio com piscina e toboágua do que na visita ao Museu. Ou, para os mais abastados, nas excursões para o Beto Carreiro ou Disneylândia.

Entendo que generalizações não podem e nem devem ser uma forma de buscar uma explicação para qualquer fenômeno em uma sociedade tão plural como a nossa. Com certeza, existem, de fato, agentes públicos e privados que estimulam o consumo de conteúdo cultural nas escolas. Porém, como falei em tópico anterior, se a consternação sobre a tragédia está sendo construída de certa forma generalizada, a prática frequente de incentivo e interesse cultural também deveria ser. E, infelizmente, percebemos mais uma vez a ação restrita a uma determinada área, baseada exclusivamente em motivos que não consideram uma visão mais ampla da necessidade de solução.

O “produto Museu”

A repetição de uma mesma experiência também pode contribuir para o desinteresse do público. Poucos museus nacionais se reinventam, criam exposições temporárias ou atrações que incentivem o retorno frequente à visitação. Acredito que, com todos esses fatores e, talvez, alguns outros que não menciono, o desinteresse se retroalimenta e se expande de forma sintomática ao longo do tempo.

Iniciativas como esse exemplo acima do próprio Museu Nacional poderiam ser a prática frequente ao invés de poucos eventos isolados em 2009.

Talvez esteja enganado e na verdade o Museu Nacional estava lotado de eventos para crianças e adultos, exposições temporárias e diversas outras iniciativas. Porém, se isso de fato ocorreu, infelizmente, faltou publicidade para que a informação pudesse chegar até seu público e, consequentemente, aumentar o número de visitantes.

“Em 2017, mais brasileiros visitaram o Louvre do que o Museu Nacional”

A brasileirada na França não foi apenas fazer checkin no Facebook e atualizar o Instagram em uma selfie com a Monalisa. Também foi isso. Mas além de os franceses possivelmente terem melhores estratégias de marketing do seu produto e sua vinculação direta ao Louvre como destino turístico parisiense, presumo que, possivelmente, a experiência de visitação do Louvre seja melhor do que a experiência de visitação do Museu Nacional. E não se trata de comparação de obras ou de importância histórica. Estou falando sobre todo o aspecto que representam as visitas. Presumo porque nunca fui à França. Mas, pelo que me contaram, as filas de entrada do Louvre são intermináveis, é uma guerra campal para observar as grandes obras, provocando na visita um grande exercício de paciência em seus visitantes. Você pode até não concordar que a experiência seja melhor por lá. Mas os números não mentem.

Imagem Creative Commons disponível em https://pixabay.com/p-863125

Nesse caso, percebemos ainda mais forte uma miopia em marketing, sintoma da falta de percepção dos desejos do público e de empatia na criação da estratégia de produto. Depois, poucos entendem o motivo dos resultados esperados não serem atingidos e, adivinhem: a culpa vira de volta para o próprio público.

A normatização do fracasso

Como disse no princípio, não é simples. E o discurso sobre iniciativas e soluções projetadas na responsabilidades de terceiros não irão simplificar o problema.

Acreditar que a própria visão é a única válida também não.

O Museu ardeu em chamas na frente dos nossos olhos incrédulos cheios de lágrimas e culpa. Perante uma nação impotente, colocou fogo em várias discussões. Mas assim como o fogo apagou, daqui a pouco as discussões também acabam. E junto com elas, as perspectivas de solução, pois o conforto da terceirização da responsabilidade é melhor aos nossos olhos do que o protagonismo da solução.

Nesse cenário, uma nova tragédia, seja ela qual for, infelizmente voltará a acontecer. E entraremos em uma nova discussão antiga, provocada pelos mesmos comportamentos de sempre. Mas, talvez, não iremos lembrar disso. Se nos falta interesse em cultura e história, a memória social é curta e iremos cair no mesmo ciclo. E sofrer novamente.

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A não ser que a gente mude.

    Fernando Antunes

    Written by

    Marketing MSc, Consultant Professional, Postgraduate Professor and Keynote Speaker.

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