Sofrimento Natural

O que a alma dita
A caneta recita
Violentos versos
Compõe a poesia
Fogo que anuncia
Aquece a noite fria
Queima a monotonia

Sou a voz que denuncia
Entre manias e fobias
O tormento de uma mente doente
Julgada pela maioria

Entre a sanidade e a patia
A coragem e a covardia
No fundo do poço se sentia
“Frescura” era o que diziam
Pesadas drogas o médico prescrevia
O tempo passava e o cérebro se retorcia

Remava sem saber pra onde ia
Rimava sem saber o que sentia
Sabia que explicações a vida lhe devia
E cobrava a cada tombo que caia

E por cair em todos os buracos
Sabia por onde desviar os passos
Conquistando espaço
As custas de nervosos colapsos
Pesados passos no compasso
Desequilibrado pela lágrima do palhaço

Achou que viver era fácil
É muito mais do que atravessar o portal do parto
É preciso sobreviver de fato
São vários os obstáculos
Barreiras e buracos
De um sistema nervoso falho
De mais um sofredor nato