Monstro

Subjuguei minhas palavras em criações ilusórias. De tão ilusórias, o monstro apareceu como real, saindo do armário da minha mente e atacando com abraços a extrema liberdade.

Parece carinhoso aquele afago no ego, que aponta como um mergulho profundo em sofrimento. Não espero um aperto de mãos, mas ele insiste em manter o comando sobre nossos próprios atos. O monstro que eu mesmo alimentei, com pedaços de sonhos regados em pingos de lágrimas.

Vivendo de verdades em um mundo de mentiras próprias, torcemos para que a realidade não transcorra em distorção.

O livramento dos pesadelos já causa desilusão. Vou seguindo em ritmo brando, pois o monstro tem amarras. Amarras enraizadas de sentimentos, que grudam no fundo da alma, entrelaçando cada ato de rebeldia em covardia.

Em cada disciplina inalada, a coragem se afasta por medo do sufoco. As sombras vão aumentando pelos passos que não dei e pelas histórias que não contei.

Respirar as próprias escolhas com a relutância de um espirro reprimido. O que bastava para um sorriso se reprime em frustração. Os olhos ficam apertados e cansados. Lá vem o monstro novamente, abocanhando cada suspiro de entusiasmo, em um mundo monocromático.

Sem rosto, sem braços, sem beijos e abraços. Ele não tem forma, mas se forma de forma torta em sua vida morta. Rompendo todas as forças acumuladas, em uma mágica sobrenatural, envolve em seu colo todo o cerne da existência. Já não existem planos, já não existe luta, já não existem barreiras, da mesma maneira que não existem sonhos e nem pesadelos.

Talvez seja preciso fechar a porta do armário e acender a luz.

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