Como foi meu primeiro ano como Nômade Digital

Verificando os e-mails no Hawaii :)

Hoje eu completo um ano após ter abandonado um emprego “normal” para seguir carreira solo, conciliando trabalho com marketing digital e viagens ao redor do mundo, intercalando com temporadas no Brasil.

Foram 117.000 km voados, 21 cidades e cerca de 100 dias fora do Brasil. Cerca de 45 leads (todos por indicação — de amigos, alunos, clientes) e 54% deles transformados em clientes, fazendo meu faturamento ser 3x maior que o salário que recebia quando empregado. Tudo isso, trabalhando em média 6h por dia. :)

O mapa das viagens deste ano nômade

Amigos ajudam a tomar coragem

Nada teria acontecido se eu não tivesse falado com muita gente, que ouviu minha ideia louca de abandonar tudo e virar consultor, enquanto viajava em um ano de crise. Não vou citar nomes para não esquecer ninguém, mas foram pessoas incríveis que me deram dicas de empreendedorismo, indicaram livros, indicaram clientes ou apenas incentivaram para tomar de vez a decisão. A coisa deu tão certa que os primeiros leads começaram a surgir mesmo quando eu ainda estava empregado e não pararam. Mesmo depois de um ano, todos os clientes, jobs e consultorias ainda chegam complemente por indicação. Não consigo expressar aqui o tamanho da minha gratidão a todos que acreditaram em mim.

Mesmo depois de um ano, todos os clientes, jobs e consultorias ainda chegam complemente por indicação.

O engraçado é que eu imaginava ter que prospectar clientes gringos, para ganhar em dólares e conseguir me manter. Surpresa minha foi que praticamente todos os clientes são nacionais, todos carentes por marketing digital de qualidade, ainda mais num ano de crise. Não posso reclamar de forma alguma da crise que o Brasil vem passando. Espero que assim que ela passar, as empresas dediquem ainda mais investimento para o Digital!

Neste ano eu entendi que empreender não é necessariamente abrir uma empresa, startup ou negócio. Eu posso empreender ajudando outras empresas a conseguirem melhores resultados e ser muito feliz com meu trabalho. Acho que a confiança depositada pelos clientes ajudou o trabalho remoto ser completamente possível e produtivo.


É chato demais ser adulto (e empresário)

Sair de uma empresa com carteira assinada e vários benefícios foi difícil. Afinal, como freelancer, empresário, empreendedor, todo mundo precisa ter certa estabilidade, como um dinheiro de segurança, plano de saúde, algum investimento futuro, previdência e tudo mais. E criar empresa no Brasil é muito burocrático e chato. É tanto papel, tanta informação e burocracia que muitas vezes dá vontade de partir para a ilegalidade ou sumir de vez do país. Mas estou aqui, firme e forte, depois de um ano com tudo certinho, notas fiscais e atendendo empresas legais, vivendo a vida chata e burocracia de adulto!

Ter contas para pagar e não saber exatamente quando o dinheiro entra é complicado. Sempre existe aquela tensão de não saber até quando os bons trabalhos vão durar e quando algo inesperado pode acontecer. Mas acho que isso ajudou a eu ter um planejamento financeiro muito mais controlado e mais responsabilidade na hora de pensar em dinheiro.


O lado bom

Eu não sabia como eu poderia ser produtivo ao tomar a decisão de trabalhar remotamente em cafés, hotéis, parques, aeroportos e aviões. Acho que o fato de ter tanta tecnologia disponível para gerenciar tarefas, planejamentos, campanhas, fez com que se tornasse algo muito simples cuidar de cada um dos clientes e ainda iniciar alguns projetos pessoais.

Aqui, os créditos para Trello, Slack, Wunderlist, Pipefy, Evernote, etc.

Além disso, ter descoberto o conceito “slow travel” foi uma divisão de águas para mim. Para quem não sabe o que é, explico: em vez de passar 2 ou 3 dias aproveitando uma cidade, eu fico de 7 a 15 e aproveito para trabalhar e curtir a cidade de forma mais lenta, como um local, comprando no supermercado, andando de transporte público, frequentando cafés, parques e escapando das armadilhas para turistas. O fato de ter que trabalhar e ao mesmo tempo aproveitar as cidades que passei fez viajar tornar-se algo completamente diferente e muito gostoso.


O lado ruim

Viajar é bom, trabalhar é chato. Conciliar os 2 pode ser um pouco traumático. Mesmo me tornando altamente produtivo, as vezes, principalmente fora do país, bate uma certa deprê por estar trabalhando numa linda tarde ou durante a noite, enquanto todo mundo está aproveitando. Mas acho que isso faz parte e a melhor forma de lidar sempre é pensar que assim que eu terminar de trabalhar, estarei livre para curtir a cidade e, porra, eu passei por muita cidade legal! Eu imagino que muita gente não consegue lidar com isso e muita gente já tentou nomadismo e não conseguiu, mas é uma batalha interna para se ir trabalhando e como o tempo se acostumando.

Outra coisa ruim é que ir para lugares caros ainda é impossível. Eu teria de ganhar muito para conseguir passar um tempo em países que eu admiro muito. Portanto, a alternativo é visitar países e cidades mais baratas, prezando por um mínimo de qualidade de vida e ainda voltando para o Brasil com frequência, onde ainda estão rolando muitos negócios.


Próximos passos

Minha meta pessoal, até o fim do ano é pisar nos 5 continentes durante 2016. Ou seja, já foram América (do norte), Ásia e na próxima semana embarco para Europa. Já tenho viagem marcada para África e estou começando a planejar o último continente, Oceania.

Continuo cada vez mais trabalhando e me especializando em Marketing digital, melhorando e pensando em novos workshops e pensando em alguma forma para ganhar dinheiro de forma mais orgânica, tentando reduzir as horas trabalhadas para 5 por dia ou menos. (Leiam o “Trabalhe 4 horas por semana”, vale a pena!)

Espero estar novamente, em 1 ano, contando os bons resultados deste novo ano nômade que se inicia! Vejo vocês pelo mundo!

Ah, lembrem de acompanhar dicas lá no Travel 'n Tech :)