Contos de um Serial Killer 02 — Mariana

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Já se passaram 37 dias desde Amanda. Sinto que aos poucos minha vontade de repetir a situação aumenta. Melhor trabalhar…

37 dias repetindo a cena do terreno baldio em minha cabeça. Acho que consegui perceber meus erros e espero não os repetir. Não sei como a polícia não me descobriu, apesar que não vi nenhuma notícia sobre aquela noite. Ninguém liga.

Primeiramente precisava de algum lugar novo, estudando sobre pessoas com os meus “problemas”, aprendi alguns truques legais. 
Encontrei um velho píer abandonado, acho que lá será um lar bom para minhas noites sangrentas, pelo menos por enquanto.

Ainda era fim de tarde, mas já não me aguentava mais, fui para o mesmo pub que conheci Amanda, lá tinha outras belas moças pelo que me recordo.
Me surpreendi, tirando meia dúzia de gatos pingados, o lugar estava sendo dominado por mulheres. Sentei no mesmo banco, dava para analisar todo o ambiente dali. Qualquer uma daquelas mulheres poderia virar minha vítima, agora basta escolher qual. Todas elas vestindo curtos vestidos exibindo suas belas curvas, mas havia uma encostada na parede, curtindo a música de uma forma extremamente contida.
Pedi mais uma dose dupla de whisky, caubói é claro.

Hoje tinha vindo direto do trabalho, cabelo já um pouco bagunçado, mas a roupa e o perfume estão impecáveis. Terno azul marinho com pequenas listras, minha fiel companheira presa no mesmo lugar.

Algumas meninas sentaram ao meu lado e tentaram puxar conversa, mas não tiveram sucesso. Eu já estava de olho naquela primeira, chamei o garçom e pedi para entregar um drink por minha conta. Ela olhou para mim, sorriu e fez como se agradece com a cabeça.
Não vem a calhar contar passo a passo de nossa conversa. Ela se chamava Mariana. Cabelo longo e ondulado, loiro-dourado. Olhos quase cinzas e cerrados. Pele pálida. Aproximadamente 1,55 de altura, sem muitas curvas. Extremamente bela.

  • Eu mestrava algumas partidas de D&D, Mariana.
    - Nossa! Qual versão? Eu adorava passar noites em claro jogando a 3.5.
    Ótimo, já tenho um argumento para leva-la para casa.
    - Sério? Hoje nós vamos começar uma mesa em casa. Quer participar?
    - Ah, não sei… 
    - Pô Mari, vai ser legal. 
    - Eu preciso voltar para casa e meu ônibus só passa até as 22:00
    - Onde você mora? Eu te levo.
    - Ah… Tá bom, vai. Me viro pra voltar.

Sua roupa era cinza escuro com detalhes dourados. Um vestido de comprimento médio envolto com mangas longas, um par de botas até o joelho e um manto preto de comprimento médio. Usava um cachecol de malha e uma touca.

Percebi que havia algo errado. Ela sempre colocava a mão no bolso, aparentemente para verificar algo. Mariana é parecida comigo, tem vários segredos.

- Impressionante como com uma boa conversa o tempo passa rápido, não? Está quase na hora que o pessoal vai chegar em casa. Vamos?
- Sim, sim. 
Cheguei no pub por volta das 17:15 e agora era aproximadamente 19:30.
- Vamos correr Mari, o sol está se pondo!
- Onde estamos indo? Sua casa não é pra lá? — Disse Mariana apontando para o lado oposto em que eu ia.
- Sim sim, mas sou apaixonado pelo pôr do sol. Vamos dar um pulo na marina só pra ver, é rápido.
- Não vejo graça. — Fechou a cara e cruzou os braços com a cara emburrada e preocupada.
“Foda-se. Não ligo pra sua opinião”. Foi o que pensei, claro que não falei isso. A levei até o píer que encontrei, hora de testar o novo lugar.
Sentamos na beirada do píer para ver o sol se pôr e ela segurou a minha mão. Passei meu braço por trás, assim poderia segurar melhor.
SIM! AHHAHAHAHAHAH!

Movimento limpo, direto e certeiro. A faca atravessou a garganta de uma vez e ela caiu para trás.

Eu não tinha pensado nisso, mas madeira não era a melhor superfície, o sangue era absorvido e ia acabar deixando evidencias e manchas. Merda.
Antes de continuar fiz uma gambiarra, eu tinha guardando uns rolos de plástico lá perto e para evitar mais manchas na madeira. O sangue ia direto para água.
Dessa vez comecei pelos dedos, eu ia largar alguns pedaços ali na agua mesmo e outros em um lixão próximo. O bom que é fácil cortar, depois fui para os braços, pés e pernas.
Isso era Bach? Mozart? Beethoven? Não… Era o som do sangue pingando na água.

Ainda tenho um pouco de dificuldade de cortar sem bater no osso e em alguns tendões me atrapalham. Algumas artérias parecem que pedem clemência em nome de Mariana, enquanto jorram sangue em todas as direções.

Hora do meu retirar minha segunda medalha, cuidadosamente tento retirar um dos olhos, minhas mãos estão tremendo hoje. Não sei o motivo.
PUTA QUE PARIU!
Rasguei a porra do olho. Caralho…
Ok, respira, calma. Vamos tentar de novo.

Dessa vez tudo deu certo.

Eu estava imundo, minha roupa inteira ensanguentada e manchada. Sorte que já estava tarde e provavelmente ninguém ia me ver voltando para o carro.

Demorei para dormir, fiquei admirando os potinhos na minha prateleira. Com o mais novo companheiro castanho.
Boa noite.