Desenvolvimento para todos, ou deterioração geral

A mistura geral pode ser para o bem de todos ou para o mal de todos.

Há dois anos escrevi esse texto. É assustador verificar que segue atual.

Nos anos 70 se discutia, no Brasil, mesmo em plena ditadura militar, modelos de desenvolvimento para o País. A esquerda, mesmo amordaçada, defendia o que na época se chamava “modelo chinês”: uma economia fechada para o mundo exterior, totalmente voltada para o mercado doméstico. A direita defendia o “modelo sul-coreano”: totalmente voltado para a exportação. É curioso revisitar esses modelos 40 anos depois: o modelo chinês de então foi pras cucuias… o atual modelo chinês surpreendeu os ortodoxos de direita e de esquerda.

O fato é que a globalização é irreversível, enquanto interconexão das economias nacionais. O próprio nacionalismo, inventado em 1800, está próximo de perder seu prazo de validade. Pior para os conservadores da direita, com seu militarismo nacionalista; e pior para os conservadores da esquerda, com seu isolacionismo infantil.

Naquela época (anos 70) se discutia muito o êxodo rural e como evita-lo. Trazia problemas para as grandes cidades superpovoadas e prejudicava a produção rural, essencial para a economia. O desafio era melhorar as condições de vida no meio rural, para que as pessoas não se sentissem compelidas a buscar a ilusão da cidade grande, que terminava na tragédia das favelas da periferia.

Pois bem, o problema da imigração em 2015 é o êxodo rural do planeta Terra. Se discute que a Europa precisa acolher os africanos e os EUA precisam acolher os latino-americanos. Os conservadores de direita querem muros nas fronteiras e deportação dos ilegais; os conservadores de esquerda querem acolher a todos, mas a verdade é que a África não cabe dentro da Europa e nem a América Latina cabe nos EUA (se bem que lá tem mais espaço).

O desafio será investir maciçamente na melhoria das condições de vida na África e na América Latina. Saúde, Educação, Segurança, Emprego.

Não há muro que segure quem luta pela sobrevivência. Fechar portas e janelas não vai adiantar. O mundo está integrado, o isolacionismo é inviável. O problema da Bolívia é brasileiro, também. O problema mexicano é americano também. A Turquia faz parte da Europa, mesmo contra a vontade da direita. A única saída é o desenvolvimento para todos.

Espero que aquele menininho sírio não tenha morrido em vão.