Bloqueio Criativo + Aceitando a Imperfeição

Porque em algum momento as duas coisas precisam acontecer

Ou um Evernote em branco… no meu caso

Bom, era inevitável que isso ia acontecer em algum momento: tive um bloqueio criativo, mas estou lidando bem com ele.

Já faz três meses que comecei com essa historia de escrever aqui no Medium, sendo que em Junho tripliquei a produção de conteúdo quando resolvi fazer três textos por semana, cada um com uma temática pré-definida por dia. Todos, basicamente, são elaborados e programados para postagem automática (obrigado, Medium) durante meu final de semana e aproveito. Depois é só por um despertador para lembrar de compartilhar Facebook. Então tenho dois dias inteiros para escrever três textos relativamente curtos e deixar tudo arrumadinho para semana.

Obviamente isso não funciona sempre e esse último final de semana em especial não funcionou de verdade. No exato momento que estou escrevendo esse texto são 23h00 do domingo e eu ainda não faço ideia do que vamos falar hoje. Então vou continuar escrevendo até que em algum momento uma ideia tomará forma.

Expor esse bloqueio e falar sobre ele só é possível porque estou em uma fase da minha vida na qual quero deixar o perfeccionismo para trás, além do mais, pelo que consigo me lembrar, sempre que tentei ser perfeito, foi para impressionar outras pessoas e não pro meu próprio crescimento. Essa foi uma das minhas resoluções pra 2016. Lembro que no dia da virada eu estava com uns amigos e fizemos esse pequeno ritual em que cada um deveria dizer algo que queria levar de 2015 para 2016, e algo que deveria ser deixado pra trás. Me lembro de ter escolhido o perfeccionismo para abandonar, porque percebi que o melhor resultado não necessariamente é o resultado perfeito. Sei que parece contraditório, mas se pararmos para pensar um pouquinho, vamos perceber que é difícil descrever algo perfeito, sem falhas e 100% redondo. Precisamos parar de mirar este alvo intangível e começar a focar no “melhor possível” ou mesmo no “bom o bastante para…”, que são status que permitem uma margem de erro que é totalmente humana e normal.

É no mínimo engraçado lutar contra a perfeição. Quantas vezes já não me peguei construindo slides mega elaborados para uma apresentação que minha gestora só pediu pra que eu listasse alguns pontos importantes. Você precisa se colocar de fora da situação e pensar “Será que tudo isso vai contribuir para o meu crescimento?”. Na maioria das vezes a resposta será “Não”.

Esse é um processo que necessita de uma baita dose de exposição, porque envolve admitir que fizemos o melhor o bastante, e que esse status possui falhas, que também são ótimas. Elas são os melhores indicadores de que não temos medo de nos arriscar e que estamos dispostos a aprender. E talvez esse seja um dos grandes problemas da humanidade hoje em dia: ensinamos nossas crianças que precisam ser “alunos nota 10” em todos os aspectos, mas ainda queremos suas versões adultas errando e arriscando, sendo que já existe um medo implantado.

Ao mesmo tempo, quando nos permitimos, coisas incríveis acontecem porque estamos vivendo de verdade. São os momentos que nos sentimos valorizados, criativos, reconhecidos, amados e pertencentes. Obviamente haverá momentos que vamos nos f*der grandão, mas é como eu sempre digo: melhor se arrepender se ter feito, e aprendido uma lição, do que ficar na vontade sem aprender nada.

Graças a essa vulnerabilidade podemos alcançar grandes feitos, como por exemplo elaborar um texto extremamente inesperado sobre se libertar da perfeição e ainda (com sorte) colocar na cabeça de quem ler dois pequenos questionamentos: quanto tempo você tem gastado com a perfeição? E como você poderia aproveitar melhor o seu tempo, se a questão fosse fazer “o melhor possível”?


Esse texto foi extremamente influenciado pela Dra Brené Brown, que já mencionei uma vez no texto sobre “A Arte da Imperfeição” (Amanda Palmer), e que tem causado um impacto gigantesco na minha vida em função de sua pesquisa sobre vergonha e vulnerabilidade. Textos sobre esses assuntos em breve!

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