Como encontrei a alegria em um banheiro

Porque às vezes certos luxos são superestimados

Para começar, por mais que pareça, eu não estava chapado quando passei pela experiência que vou descrever a seguir.

Nunca fui a pessoa dos luxos, que viaja direto para o exterior, pede Chandon na balada e só vai em festas que os meninos usam camisa e as meninas, salto alto. Na verdade, como já deixei bem claro em posts passados, me sinto agradecido por ser uma pessoa bagaceira. E recentemente tive a oportunidade de sentir isso na pele. Não eu nunca tivesse sentido antes, mas uma vez que as coisas estão escritas e expostas, começo a ver tudo de um ponto de vista diferente. É como se o sentimento fosse dissecado em diversas camadas que podem ser analisadas uma a uma.

Há alguns dias atrás tive a oportunidade de viajar sozinho para outro país, o que por si só já é uma experiência incrível (mas vamos deixar a fobia social para outro texto). E apesar de ter conhecido alguns restaurantes, cafés, lugares e pessoas bem legais, a melhor coisa de toda a experiência estava no meu quarto de hotel: uma banheira.

E antes que qualquer um possa achar que eu estou de zoeira (como na maioria das vezes), quero aqui jurar pela alma sagrada de RuPaul que tudo nesse texto é 120% verdadeiro.

Eu nunca tinha tomado um banho de banheira na minha vida.

E foi uma das melhores coisas que aconteceram nos últimos dias.

Estar imerso em uma banheira com água muito quente (quase virei uma canja), por pelo menos uma meia hora sem pensar em absolutamente nada enquanto eu ouvia “Super Rich Kids” e “Pilot Jones”, ambas do Frank Ocean, vai com certeza entrar na minha lista de melhores sensações do mundo. E acho que só consigo valorizar essa sensação relativamente simples por nunca ter sido o menino dos luxos. Dessa forma eu não me arrependo de não ter vivido alguma experiência parecida no passado, porque hoje ela me traz uma alegria e uma paz tão grande que não seriam possíveis se ela fosse “mais uma no meio das milhares de experiências incríveis que já vivenciei”.

Não se permitir sentir prazer em algumas simplicidades do nosso dia a dia está aos poucos matando nossa capacidade de nos sentirmos alegres. Ficamos o tempo todo em busca de algo tão platônico que nos levará ao Nirvana, que esquecemos de buscar o melhor de coisas pequenas, mesmo elas parecendo bobas para algumas pessoas, como um por do sol para te distrair num dia difícil no trabalho, ser presenteado com uma paçoca, abrir a janela e ter uma vista legal pela manhã, ou tomar um banho de banheira.

Tente, de agora em diante, prestar um pouco mais de atenção nessas coisas simples e aprenda a tirar o melhor delas. Consigo te garantir que isso não só vai melhorar sua qualidade de vida, como você se sentirá bem consigo mesmo muito mais vezes.

E aí, de repente, “encontrar a felicidade” vai deixar de parecer tão complicado quanto antes.

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