Meu corpo, minhas regras

Porque se não fosse assim, seria escravidão ou algo do tipo.

TEMÇU… mas se ela ficou feliz né….

Quer ouvir diversas pessoas te dizendo que nunca mais vai arranjar um trabalho descente? Que você vai se arrepender e que tudo não passa de “uma fase”? Que deformou seu corpo? Bem, basta você fazer uma tatuagem que automaticamente essas afirmações e muitas outras serão vomitadas em você. E como a audição é um sentido sempre estuprado quando menos se espera, não te restará opção a não ser dar um sorrisinho amarelo e rebater da melhor forma possível (sugestões em algum lugar do texto, então continue lendo).

Mas por que as pessoas são assim? Por que ainda existe preconceito contra esses tipos de modificação corporal?

Como sempre, fiz minha lição de casa e descobri (créditos ao Mr. Google) que em sociedades de origem cristã, o preconceito existe porque há muito tempo atrás, a Igreja considerava um pecado qualquer “ofensa” (modificação) ao “templo do Espírito Santo” (corpo). Além disso, os primeiro indivíduos na sociedade européia a exibirem publicamente suas tatuagens eram os marinheiros, classe basicamente formada por condenados e ex-detentos, duas características que não garantem logo de primeira a melhor das impressões. Junte tudo isso com associações com Yakuza, povos indígenas considerados “selvagens” por “conquistadores” e voilà, temos um preconceito bem estabelecido.

Aí você me diz:

“Mas Fernando, os tempos mudaram. Tudo isso que você falou é velharia e ninguém mais pensa nessas coisas.”

Filho, esse é o grande problema do preconceito. Ele se instala no corpo das pessoas e se propaga de geração em geração, como radioatividade, até chegar um ponto no qual você simplesmente está sendo preconceituoso e não sabe nem o porquê. Mesmo assim, na minha opinião, esse tipo de preconceito existe ainda hoje por um simples motivo. Eu espero que vocês estejam preparados para o que vou divulgar agora porque vai mudar a sua vida completamente.

Está preparado?

Ainda tem tempo de voltar atrás, hein…

Você está sentado?

O que você está vestindo? (BRINKS)

O motivo pelo qual ainda existe preconceito contra tatuagens e modificações é que elas demonstram um EMPODERAMENTO muito grande do próprio corpo.

Não entendeu? Pare de falar com seu amiguinho no Whats e presta atenção aqui…

Praticantes do body motification possuem um poder incrível sobre seu corpo e sua imagem. Tão incrível a ponto de permitir que eles o modifiquem como bem entenderem. E em uma sociedade onde esperam que você viva de acordo com as expectativas dos outros isso causa um BAITA desconforto. Na verdade o problema é até um pouco mais em baixo. Alguns indivíduos ACHAM que precisam viver às expectativas alheias e por isso auto impõem uma série de restrições de como agir, o que falar, como se vestir. Para eles, indivíduos livres e empoderados das próprias decisões são rebeldes e não se encaixam em modelos pré-definidos que na verdade nem existem. E sim, isso é inveja. E eu os compreendo perfeitamente bem. Também invejaria se estivesse no lugar deles. Mas o preconceito não é o caminho correto. Ao invés de pensar em como restringir o outro para que ele se torne como eu, deveríamos pensar em como evoluir para me unir ao outro.

Não estou dizendo que todo mundo deve sair por aí se tatuando e esse é o caminho para o Nirvana. Só estou tentando mostrar que precisamos parar de nos preocupar com que os outros fazem da vida e descobrir uma forma de ter mais controle sobre a nossa própria. Se isso vai ser através de estilo de vida ou estéticas não importa. Só é preciso que aconteça. Não se importar com outros e dar a devida atenção a si mesmo é a chave para a felicidade (e também para a sobriedade, mas isso é outro texto…).

Infelizmente ainda tem uma galera que curte ficar de olho no vizinho e esse povinho vai sempre fazer uns comentários bossais (caprichei MUITO nessa) para você e pra sua liberdade. Então, especialmente para meus amigos tatuados (ou com modificações corporais), preparei uma lista de “Como encarar situações nas quais uma pessoa com uma visão extremamente limitada de mundo se sente no direito de invadir a sua liberdade”. Fique à vontade para usar e abusar (ui).

  • Antes de arranjar um trabalho, sempre vai ter aquela tia chata dizendo que você nunca vai conseguir merda nenhuma na vida porque as pessoas te acharão com “cara de marginal” (o que já é um termo péssimo por si só). Gente, ninguém mais se importa com isso (ao menos que você queria trabalhar em um banco com uma mega tatuagem no meio do seu rosto, mas vamos aprender a nos adaptar ao ambiente). E qualquer coisa, sempre tempos a Chilli Beans, não?
  • Se essa mesma tia chegar falando que você deformou seu corpo, avacalhe a situação e diga que vai colorir seus olhos e bifurcar uma língua (e faça uma linguinha pra ela depois disso). No fundo sabemos que não é deformidade nenhuma permitir que um artista grave a arte dele na nossa pele.
  • Quando disserem que você está chamando muita atenção, responda: “Mas Deus me disse pra descer aqui e A-H-A-Z-A-R antes de eu nascer. Só estou cumprindo ordens” (frases do Orkut liberadas nesse caso)
  • E o mais importante de tudo. Sempre que disserem que não passa de uma fase e que você vai se arrepender responda, “Não me culpe pela SUA insegurança.”

Independente de qualquer resposta, o importante é mostrar segurança em si mesmo. Essa característica incomoda tanto quanto a felicidade. É aquela velha história de que o simples fato de dar um sorriso e dizer um “Bom dia” sincero já incomoda meio mundo, sabe? O seu poder sobre o seu próprio corpo vai incomodar MUITA gente, então que melhor forma de encarar isso do que esfregando toda sua confiança na cara dos outros? Não deveríamos ter que agir assim, mas é a única alternativa em um mundo onde as pessoas não permitem que outras se sintam bonitas e bem com elas mesmas, da maneira que elas bem entenderem.

Não queria terminar as coisas numa vibe auto-ajuda, mas vou fazê-lo de qualquer forma: tem uma banda MUITO boa de Glam Rock chamada The Ark que possui a música “Tired of Being an Object” (“Cansado de ser um objeto”) que resume muito bem toda a ideia desse texto. A música fala exatamente sobre essa obsessão de nos importarmos com a imagem alheia mais do que com qualquer outra coisa, e em determinado momento tem um trecho que diz “O único direto pelo qual eu vou lutar, é o direto que todos têm de se sentirem irresistíveis de vez em quanto”. Pense nessa frase e vamos combinar uma coisa: pare de viver de acordo com as expectativas dos outros e se empodere 100% do seu corpo. E só quando isso acontecer… não, você não vai poder falar do corpo dos outros, só vai ter total poder sobre o seu mesmo ;).