Não quero mais ser simpático
Porque as pessoas superestimam esse sentimento

Por muito tempo sempre achei que sendo o cara simpático conquistaria tudo em minha vida: bons amigos, uma boa rede de contatos na vida profissional, boas conexões no geral. Além do mais, quem não gosta do cara sempre sorridente, que brinca com todo mundo e sempre tem algo legal e divertido para dizer? Levou um tempo e alguns chacoalhoes para entender que a simpatia, na verdade, poderia me afastar das pessoas.
Sim, eu sei que parece absurdo falar isso, mas quando pesquisamos sobre psicologia social e entendemos a definição de “simpatia”, fica evidente que ela é uma grande responsável por desconexões.
Basicamente, simpatia é a capacidade de “compartilhar” um sentimento de uma distância segura. É ser expectador das emoções alheias. Por exemplo: se alguém conta que está passando por um momento mega complicado no trabalho e está desesperada porque acha que será demitida, a resposta simpática seria “você acha mesmo? Acho que você está exagerando. Fique tranquilx.”. Nesse caso há claramente uma tentativa de melhorar a situação, mas não existe uma conexão entre as pessoas, porque o simpático se coloca na posição de platéia, criando distanciamento. Por esse motivo é tão fácil ser simpático com todo mundo, já que nenhuma relação de simpatia exige grandes esforços.
Não quero mais ser essa pessoa. Já passei da época que “tentar agradar todo mundo” era um foco e que o número de amigos no Orkut era diretamente proporcional a minha felicidade. A partir de agora quero substituir a simpatia por um outro conceito: o de empatia.
De acordo com minha guru pessoal, Dra. Brené Brown, empatia é nossa capacidade de nos conectarmos com um sentimento que alguém está experimentando. Para isso, é necessário que busquemos alguma coisa dentro de nós mesmos que seja similar ao que a outra parte estar sentindo. Não pode haver julgamentos (a parte mais difícil, na minha opinião), pois é preciso criar um ambiente de sinceridade e confiança que transmita a mensagem de “Você não está sozinho”. Ser empático é uma escolha extremamente difícil de se fazer porque é uma escolha vulnerável; para nos conectarmos com o outro, é preciso que eu exponha uma parte de mim que sabe como você se sente
Não é preciso tentar extrair o “pelo menos…” da situação, já que muitas vezes é impossível dar um conselho ou dizer alguma coisa que faça tudo melhorar na mesma hora. É preferível dizer “Não sei o que te dizer, mas estou muito feliz por você ter compartilhado isso comigo” do que iniciar qualquer frase tentando mostrar o lado bom da situação.
As pessoas colocam uma pressão muito grande sobre “ser simpático”, como se “ser agradável” para todos fosse uma obrigação dos seres humanos. Isso é impossível e tentar forçar esse adequamento pode ser pior ainda (vou falar disso em algum momento). Tenho muito forte dentro de mim que prefiro distribuir durante meu dia um único sorriso sincero do que dez por obrigação.
Então a partir de agora não vou mais ser o cara simpático: chega de assistir tudo no camarote de onde as pessoas não podem me ver. Quero estar no palco no meio da galera, exposto e estabelecendo poucas, mas fortes conexões com aqueles que realmente importam para mim.