Os 6 estágios da sobriedade

Porque saúde e listas com números cabalísticos estão em alta.

Tente não pensar bobagem com essa imagem…

Há 6 meses atrás eu tive uma visão. Não igual àquelas que a galera têm nos filmes da série Premonição. Na verdade algo mais como uma epifania (esgotei meu vocabulário de palavras bonitas por hoje). Eu percebi que não queria minha felicidade associada a qualquer tipo de substância, em especial o álcool. E aí, contra todas as possibilidades, eu simplesmente parei de beber, fato que deixou meus amigos extremamente chocados.

É muito engraçado que para esse tipo de decisão em especial, muito voltada para uma vida mais saudável, a recepção do público é bem negativa: ouvi (e ouço) coisas como, “Você? Parando de beber?”, “Ah, mas você não vai aguentar um mês”, “Mas por que você está fazendo isso com você mesmo?”, ou “Não consigo te ver não bebendo!”. Pow, gente, tudo que eu queria eram algumas palavras de solidariedade e suporte do tipo “TMJ!”, “Toma aqui esse leite, então” ou mesmo um “Só não me lembre disso amanhã, ok?”, só pra me incentivar.

Mas com o tempo as pessoas se acostumam e mais importante do que isso: você se acostuma. Fica MUITO claro o fato de que é possível não beber e ser a pessoa mais animada do rolê/do mundo/da vida/de toda a existência humana na Terra. Só que pra perceber isso, durante esse meio ano de sobriedade, foi necessário atravessar seis estágios muito bem demarcados entre si (o número de estágios nada tem a ver com o número de meses que estou sem beber. Isso foi uma mera coincidência…).

Hoje eu estou aqui para apresentar essas fases e mostrar que você também pode ser a nossa America’s Next Drag Super… quer dizer… você também pode conviver com a sobriedade:

  1. Transformação: esse é o primeiro passo. Eu sei que acabei de falar de RuPaul, mas essa fase não tem nada relacionada com se montar (ela pode ter, se você quiser. Está 100% nas suas mãos). Aqui é quando algo faz um “click” na sua mente e você decide mudar. Talvez não seja uma mudança rápida e brusca. Eu, por exemplo, cortei cerveja primeiro (e daí chegava no rolê e bebia uísque e vodka. Ta Sertinho!). O importante é que você tome uma atitude imediata. Nada de “segunda eu começo”. Encara logo durante carnaval mesmo.. Vai dar tudo (mais ou menos) certo.
  2. Omissão: Você se transformou! Sabe o que você faz agora? Você mente sobre tudo isso. Inventa estar tomando remédio, precisar trampar no outro dia, ou ter lido em algum lugar que beber enquanto ouve Wesley Safadão não faz bem à saúde. O importante é que você vai mentir pra cacete só pra não precisar se justificar pros outros, ou por pura vergonha de ser a diferentona vanguardista do seu grupo. Mas caso você acabe deixando escapar que parou de beber, não tem problema nenhum. Minta o tempo. Eu recomendo multiplicar tudo por 3 porque sou agressivo, mas para os mais conservadores, pode só arredondar 1 mês pra cima. Dessa forma você evita que alguém fale “Aaah, mas eu já fiquei X meses a mais que você e depois voltei” #explodaessasgentes
  3. Projeção: pouco a pouco você está parando de mentir, só que ainda tem um problema; você ainda é um esquisitão que não sabe dançar e suas cantadas são péssimas. Não tem como mudar isso. ERRADO! Se as pessoas ao seu redor estiverem muito bêbadas, você pode se abrir para o mundo sem medo de futuros julgamentos. É aí que projetamos nossa não-bebedeira em todos ao nosso redor, FORNECENDO bebida para eles (paradoxal, não?). Você tentará embebedar TODOS os seus amigos. Vai ajudar a servir cerveja pra todo mundo, ser o primeiro a sugerir um esquenta antes daquela festa open bar (as mais frequentadas nessa fase) e incentivar aquele shot de tequila com gosto de errado. Só com a galera maluca você vai poder passar aquela cantada que no máximo vai te render um insulto ou ralar sua ppk no chão sem medo de ser feliz.
  4. Aceitação: depois de mentir até fazer House of Cards parecer brincadeira de criança e ter causado um coma alcoólico em pelo menos 3 amigos, você percebe que não é assim que as coisas funcionam. Se você decidiu seguir por esse caminho, independente dos seus motivos, você precisa vestir a camisa e encarar a situação. Mais do que isso (e agora as coisas vão ficar profundas), você precisa encarar a si mesmo. Com todas as danças ruins e com as xavecadas piores ainda. É então que olhamos no espelho e dizemos “Quer saber de uma coisa? Eu não quero voltar atrás. É assim que as coisas são e eu vou tirar o melhor de tudo isso.”. E com essa conclusão você fica muito mais próximo de atingir a…
  5. Revelação: definitivamente a fase mais importante de todo esse processo porque aqui você chega a conclusão de que as pessoas estão CAGANDO pra você, e nada mais justo do que fazer o mesmo. Se você não está prejudicando ninguém, ninguém se importa. Então seguinte, pega sábado a noite, passa um glitter na cara, coloca uma roupa bem chamativa e cai na balada SEM MEDO DE SER FELIZ. Eu sei que parece discurso motivacional de bosta, mas o segredo é esse mesmo; comece a cagar pra algumas pessoas e seja um pouco mais egoísta com a sua felicidade. Só assim você atinge a última fase.
  6. Libertação: ao aceitar sua nova condição e ainda aprender a tocar o fo***** para algumas coisas e pessoas, pode-se dizer que você está livre. Aqui você afirma com plena certeza que qualquer substância que mexa com seu cérebro não precisa existir por lá. Inclusive se divertir sem álcool (sim, isso é possível) ajuda a desenvolver sua cara-de-pau e seu sem-vergonhismo, que pra mim é uma das maiores vantagens (não vamos falar de vantagens financeiras. Antes disso pesquise o preço de um energético na balada e depois conversamos).

Se atravessar por todas as seis fases e sobreviver para contar, pode ficar tranquilo que você já está prontíssimo para ser o motorista da vez por toda a sua vida, lembrar seus amigos de todas as peripécias esquecidas da noite passada, acalmar brigas, tirar seus amigos do chão do bar, entre outras coisas que apenas nós, pessoas que não bebem, têm o maior prazer do mundo em fazer…

Brincadeiras a parte eu só queria dizer que esses últimos 6 meses foram incríveis. Aprendi muito sobre mim mesmo, perdi boa parte do meu medo de exposição e ganhei uma cara de pau muito mais lustrosa do que antes. Mal posso esperar para chegar em um ano e comemorar enchendo a cara numa festa do caralh…