Dia 33.

Meia hora. Tudo que tenho é meia hora. Meia hora para publicar esse texto e continuar com o projeto de um post por dia. Meia hora.

Bem, se estamos falando sobre o tempo, falemos sobre o tempo. Existem muitas formas e maneiras de se falar sobre o tempo. Podemos usar a física ou filosofia, por exemplo. O tempo sempre me manteve intrigado. Veja. É claro que o tempo existe, quero dizer, os dias passam, os ciclos passam, tudo tende a começar, permanecer por algum período e se desfazer. Mas, por outro lado, o tempo é uma construção nossa.

Vivemos na pressa. Na pressa do dia a dia. Na pressa do futuro. Tenho que entrar na faculdade esse ano. Tenho que entregar tal trabalho amanhã. Vivemos por prazos. Vivemos presos, acorrentados, escravizados por uma rotina que é criação humana. Meu objetivo não é julgar valorarivamente nossa concepção/criação do tempo entretanto.

23 minutos. E o tempo corre. Corre porque tem de correr. Não por ser bom ou mal. Corre, continua, segue em frente porque é assim que é. Não tem moralidade aplicada ao tempo. O tempo corre e parece que nossa única saída é correr junto dele. Ou seria… atrás dele?

O tempo perdido. O tempo gasto com aquilo que não importava. Gasto com aqueles que não mereciam. 20 minutos. O tempo que nos esquecemos. Nosso passado. Meu passado, por exemplo, é uma amostra de memórias desconexas em sua maioria. Não lembro da minha primeira memória.

Já parou para pensar que todo instante pode ser seu último instante? Que toda conversa pode ser sua última conversa? Que seu boa noite para seus pais pode ser o último? Que a despedida da pessoa amada pode ter sido a última?

Apesar de serem tristes, penso que essas perguntas tragam uma reflexão importante. Como sabemos, a vida não se importa conosco. Não se importa com os rumos que ela nos dá ou tira de nós. Não é imoral. É simplesmente amoral, alheia. Bem, dito isso, todos os questionamentos propostos são válidos. Não há garantia nenhuma, NENHUMA, de que amanhã tudo estará bem ou que tudo estará mal ou que tudo estará normal ou que tudo terá mudado. Não temos garantia de quase nada. E perante esse jogo de não-garantia, qual é a única que temos? Exatamente. A de que não saíremos vivos dele.

A tomada de consciência disso trás, em cima mesma, uma necessidade de valorização tão grande das coisas pequenas. Ora, eu posso morrer a qualquer instante. As pessoas que amo podem não estar mais comigo da próxima vez que eu piscar os olhos. Assim sendo, tudo que parece nos restar é aproveitar ao máximo todos os instantes. As menores alegrias, as mais simples cenas de beleza e amor profundos. Os sorrisos tímidos ou calorosos. Os abraços que parecem fazer com que tudo fique bem. Os beijos que te tiram da realidade. O segurar de mãos que diz que a vida é boa. A simplicidade de alguém que viveu a vida toda com muito pouco e ainda assim, pode dizer com acertividade perfeita que é feliz. 7 minutos.

Perante nossa ignorância desse universo que nos circunda, perpassa e une, a beleza, a verdadeira beleza é, ao mesmo tempo, duas coisas:

  1. A beleza são os pequenos momentos.
  2. E a beleza é a incerteza.

5 minutos. Se é que ainda possuo algum crédito depois de tudo que lhe disse hoje,

Nos encontramos amanhã.

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