A Telemedicina na Luta Contra o AVC

Aos 37 anos, a Dra. Jill Bolte Taylor, hoje neurocientista da Universidade de Indiana (EUA), percebeu os sintomas e logo constatou que estava sofrendo um AVC: “Na manhã que sofri o derrame não podia falar, ler, escrever, ou me lembrar de nada da minha vida. Fiquei andando no meu apartamento. Meu braço direito ficou completamente paralisado. Então percebi: Estou tendo um derrame!”.

Esses são alguns sintomas de alguém que está sendo acometido por um AVC, como relatado pela Dra. Taylor em palestra no TED vista por cerca de 20 milhões de pessoas, que inspirou o livro “A cientista que curou o próprio cérebro”. Felizmente, a médica, em função da sua especialidade, foi capaz de reconhecer rapidamente os sintomas do AVC e, por morar à época em Boston, teve acesso rápido a uma estrutura de unidade de AVC.

Na semana em que se destaca a Luta Mundial contra o AVC, doença com maior prevalência de mortes e morbidades em todo o mundo, é imperativo divulgar os sinais súbitos da doença para os pacientes buscarem atendimento rápido.

Apesar de ser uma doença de alto impacto social, poucos sabem que, se tratada rapidamente, numa janela de até 4h30mim do início dos sintomas, muitas sequelas podem ser reduzidas ou mesmo evitadas. Assim, é urgente que o paciente seja levado a um hospital equipado com uma unidade de AVC.

Se o paciente conseguir reconhecer os sintomas e morar na Capital, provavelmente conseguirá chegar a um hospital com unidade de AVC a tempo de ser atendido. Se residir no interior, entretanto, suas chances são bem reduzidas. Isso porque, de maneira geral, os hospitais fora dos grandes centros urbanos não possuem plantão de neurologistas, especialidade médica capaz de diagnosticar e indicar o tratamento na fase aguda do AVC.

A telemedicina é a solução utilizada para dar acesso ao atendimento especializado em pelo menos quatro cidades do Rio Grande do Sul — Três Passos, Santo Ângelo, São Leopoldo e Viamão — conectando médicos neurologistas de Porto Alegre aos médicos das emergências dessas cidades. Incentivado pelo Ministério da Saúde, esse modelo de atendimento proporciona rápido acesso aos médicos especialistas, evita transferências desnecessárias de pacientes, reduz os custos do sistema de saúde e, principalmente, ajuda a reduzir sequelas e salvar vidas.

O modelo via telemedicina, apesar de apresentar ganhos em termos de custos e velocidade de atendimento, de maneira isolada não resolve todos os problemas. Uma solução efetiva para essa doença perpassa uma ação integrada entre vários atores — desde os meios de comunicação e sociedade no que tange difundir as informações e compreender os sintomas súbitos do AVC, até os gestores públicos, administradores de hospitais e profissionais da saúde de disponibilizar atendimento adequado para tratar o AVC com a rapidez necessária.