Chega o momento em que se ama uma idealização, apenas. Puro vento. Foto: Abdullah Citi/FreeImages.

AMOR CAÍDO

Sempre se lembrava dele como o grande amor que fez questão de perder. E na comparação deste amor caído a todos os outros surgidos em sua vida, fossem prósperos ou efêmeros, ele vencia em todos os contextos: maturidade, assertividade, sutileza, fineza ou até pela asperidade.

Não obstante soubesse que este amor caído e amado poderia não ser mais aquele idealizado, vivia como se contemplasse diariamente uma versão dele que, provavelmente, não mais existia, que se perdera em um universo qualquer, longe de ser paralelo. Assim, comparava o real com algo inexistente. Amava o inexistente. Amava o nada.