Toda lembrança de casal revela algo que um dos dois não gosta muito. Foto: Mãe Não Dorme.

VOCÊ ESTÁ ME CONFUNDINDO

-No que você está pensando?
- Lembrando de quando nos conhecemos.
- Na festa de reveillon da Leila?
- Isso. Pra ser mais preciso, pensava no amasso dentro do carro, no estacionamento da casa dela.
- É louco? Não sou uma qualquer, te conheci naquela noite. Você está me confundindo com essas perigas que você pegava.
- Confundindo? Cê tá dissimulando, né?
- Não. Tenho certeza que não rolou amasso nesse dia.
- Luana, você riscou sem querer meu banco de couro com anel. Tá lá até hoje.
- Exato. Isso foi lá pela terceira vez que saímos, no estacionamento do shopping, após um shushi e várias sakeroskas.
- Meu Deus, mas é claro que não. Tínhamos bebido horrores e viajamos no por do sol do estacionamento da casa dela porque tinha vista pro Lago.
- Alisson, você realmente está me confundindo. Tô começando a ficar irritada.
- Calma. Olha só, bebemos demais, o que deixa as coisas mais turvas.
- Turvas o escambáu, Alisson.
- Tudo bem. Quer mais espumante?
- Quero. Mas não vou te dar. Namorado que confunde a gente merece greve já no primeiro dia do ano.
- Não tenho taças.
- Bebo no bico.
- Tá bem, tá bem. Mas olha… Ah! Lembrei de algo que pode ajudar. No dia desse amasso, brincamos de verdade ou consequência. A consequência deveria ser a bebida mais um toque sensual no corpo: um beijo na boca, na orelha, uma mão na coxa…
- …e eu pedi pra você voltar na casa da Leila e pegar taças porque nossa brincadeira tinha que durar muito. Ai, você tem razão.
- Não disse?
- Gente, como fui bandida. Tivemos um amasso no carro e nem te conhecia.
- Ah, foi legal, vai.
- Nossa, lembro direitinho agora. Fui até o fim, nunca tinha ido até o fim.
- Hã? Ir até o fim?

- É, ir até o fim fazendo sexo oral, Alisson. Engolir. Ou o que vocês chamam de autolimpante.

- Autolimpante? Au-to-lim-pan-te? Você não me chupou naquele dia!
- Como não?
- Luana, na nossa brincadeira de verdade ou consequência você foi, inclusive, bem enfática em dizer que nunca havia feito isso, que não se “prestava ao papel!”
- Mas você até me disse que era uma declaração de amor quando a mulher, num relacionamento sério, bebia o sêmen do namorado.
- Luana, tô começando a ficar puto! Dessa vez é você quem, definitivamente, está me confundindo!
- Calma. Olha só, bebemos demais, o que deixa as coisas mais turvas. Me passa o espumante?