A rebelião em ‘Orange is the new Black’ pode ter um significado importante fora da série

A última temporada de Orange is the new Black terminou num momento de tensão que deixou todo mundo apreensivo. Após a morte “acidental” de Poussey por um guarda inexperiente, as detentas de Litchfield iniciaram um motim dentro da prisão, que resultou na cena impactante em que Daya aponta uma arma para um dos guardas, fazendo-o de refém.

Tivemos que esperar um ano inteiro para ver o que aconteceria a partir disso, mas os trailers, prévias, notícias e entrevistas sobre a produção já indicavam que a tal rebelião iniciada com a morte da querida personagem de Samira Wiley seria o drama central dessa nova leva de episódios.

Foi divulgado que toda a quinta temporada se passa num período de apenas três dias, com aquela tensão de antes elevada ao nível máximo. Mas o que parece também — levando em conta que este texto está sendo escrito e será publicado antes do lançamento desse novo ano — é que o tumulto reflete algumas questões importantes além da ficção.

Em primeiro lugar, a motivação para essa insurreição vai de encontro ao conflito racial que tem dominado as manchetes dos Estados Unidos já há alguns anos. A truculência policial sobre os negros e o abuso de poder totalmente relacionado a questões étnicas e sociais sempre esteve presente na série, mas agora atingiram outro patamar, levando a reações extremas.

Outro ponto em questão é a união de todos os subgrupos da cadeia em razão de uma causa maior. Ainda que cada panelinha ou indivíduo use o “momento de liberdade” para benefício próprio, é necessário ter qualquer grau mínimo de organização para que as solicitações debatidas sejam atendidas.

Isso tudo sem nem entrar no mérito de serem mulheres liderando essa revolta contra um sistema em que, pelo menos dentro da série, é completamente masculino. Com exceção de poucas guardas em ação, toda a hierarquia de profissionais que mandam e desmandam ali dentro é composta por homens.

Tendo isso em mente é possível fazer um paralelo interessante com o que acontece fora da produção, nos dramas reais vividos por mulheres, negros e qualquer outra minoria representada ou não dentro daquele ambiente ficcional, mas que passa mesmo em medidas diferentes por algumas das limitações e/ou discriminações retratadas.

Visto que a série já usou sua narrativa antes para esse tipo de crítica social, não seria uma surpresa que tal método voltasse a ser implantado. E mesmo que no fim das contas acabe não sendo nada disso, ainda assim só o fato de estabelecer uma discussão com base nessas possibilidades já é um ganho enorme.

A quinta temporada de Orange is the new Black está disponível para streaming a partir dessa sexta-feira, 09 de junho, na Netflix.

Texto originalmente publicado pelo site Café Radioativo