Espirrar a vida por causa da faxina e fumar aquele sentada no quartinho limpo sempre fora um ritual minucioso de organizar e oxigenar tudo inclusive a cabeça. minha vó sempre me disse que a gente pensa melhor com tudo passado a limpo. começou a tocar aquela música do Milton do lado b que sempre chegava no finzinho do baseado, e a pergunta que se escondia embaixo da cama, atrás da porta, dentro do armário da cozinha e insistentemente nos meus sonhos novamente levantou junto com a poeira. no meio do caos que seguiu as últimas 3 luas me pegava batendo três vezes no peito e pedindo ajuda. nos próprios reflexos desgostava de muito do que via, e logo minguei junto com a lua imersa no meu próprio caos. o impacto de outrem por vezes me destrói feito bomba, e consigo ver até beleza e cor nisso tudo, mesmo que o tapa venha de todo lado. o tapa. meu pai sempre me disse que quando alguém me desse um tapa era pra dar a outra cara. até hoje faço isso. se o tapa for merecido a face é dobrada. mas tudo nessa vida é circunstância e instante. e olha que talvez já tenha afirmado que retrocessos não existem. inocência minha. sujeitos à temporalidade, trem de doido é viver. e eu lá sei pra que que é isso tudo?! conflitos que pairavam feito nuvem. mas até que no meio do caos, aquela quantidade de poeira e carro passando conseguia enxergar uma beleza nos meus erros, é feito ascender. ilusão seria dizer que não erro que não sofro que não choro que não quero gritar. não queira queimar seus olhos em seus próprios reflexos. Elza e Bethânia cantariam pra levantar sacudir a poeira e dar a volta por cima. concordo. hora da faxina é sempre muito bom. viver é um trem de doido.