Quatro estações

Flores no asfalto. Poeira nas portas. Calor. Chega o verão. Quase tudo continua cinza. É a natureza das cidades de concreto. Poucas cores, todas pasteis. A avenida larga continua movimentada com seus carros correndo para chegar onde não queriam nem estar indo.

Os pássaros cantam. Os corvos correm atrás de comida. Em um certo poste, um corvo aparentemente faz parte de um programa de pegadinhas. Toda vez que uma pessoa passa, o corvo dá um rasante na cabeça da pessoa. Sempre exatamente no mesmo lugar. O passante naturalmente para, com medo, se recolhe à sua insignificância e sai correndo. O corvo volta para o topo do poste e aguarda o próximo distinto para pertubar. As câmeras do programa de pegadinha, onde estão?

Vendo a cena de longe, imagino como deve doer uma bicada de corvo no cocoruto?

Naturalmente, depois de um inverno longo, o verão é um alento para a alma. A vida continua ocupada. Vem neve, vai neve, vem sol, vai sol, vem chuva, vai chuva. A temperatura continua oscilando. Nubla, chove, esfria, céu limpo, sol, esquenta.

Enquanto isso, este que vos escreve só vai passando, pulando de pedra em pedra, de galho em galho, escorregando na neve e correndo na chuva. Continuando a procurar um rumo na vida. Quem sabe um dia acho? Quem sabe, no fim, eu descubro que durante esse tempo todo meu rumo era procurar um rumo. O caminho é fim, o fim é recomeço. Ad infinitum.

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