Não Desista.

Paulo Fernando
Sep 3, 2018 · 3 min read

Principalmente se for desistir de você mesmo.

Esses dias andei pensando sobre o quanto complicamos algumas situações. Desde uma decisão a ser tomada até algo mais “complexo”. E realmente, nós complicamos bastante as coisas e até comparamos nossas vidas a dos outros. Não, não é nada fácil lidar com as expectativas, os desafios e as decepções na vida; mas nada disso nos deve fazer desistir. Nada. E eu vou te mostrar o porquê.

Há alguns anos atrás, lidei de perto com uma pessoa que estava prestes a desistir. Achava que nada dava certo, que nenhum plano ia pra frente. Todas suas expectativas ruíam. Sinceramente? Nunca imaginei que estaria escrevendo sobre isso, mas é por um bem maior; essa pessoa era ninguém menos que eu mesmo. Não é fácil escrever um texto falando sobre mim, principalmente sobre algo que eu passei e que está intimamente ligado ao meu eu do presente, mas vamos lá.

Eu fui uma pessoa que se apegava demais ao passado e projetava muito o futuro (inclusive tem um texto aqui sobre isso[toque/clique pra ler]). Isso não era muito legal pro meu lado emocional, pois despertava meu lado extremamente autocrítico, me fazendo uma auto-tortura toda vez que não conseguia alcançar algum objetivo bem difícil de ser alcançado. Como já falei aqui, criar um monstrinho chamado expectativa, gera o filhotinho chamado ansiedade; que não é nada legal de se lidar. Juntando tudo isso, se cria a receita perfeita para fazer qualquer pessoa não se sentir bem com sua própria vida e consigo mesmo.

Com o passar do tempo, fui suprimindo todos meus sentimentos, fingia que estava “tudo certo” e seguia em frente. Eu me considerava o bambambã do autoconhecimento, mal sabia eu que mais pro futuro a vida iria me dar um belo de um chute na cara, pra mostrar que eu não me conhecia pra valer.

Lidar com o desconhecido é assustador. E foi isso o que me despertou alguns sentimentos quando eu olhei para mim mesmo num momento de ansiedade que eu nunca vou esquecer: O Medo, desespero e agonia. Acabei complicando mais ainda o que já estava complicado, fiquei em choque e não sabia o que fazer. Comecei a olhar pra “todos” os pontos em minha vida e julgava que nada estava indo bem. Não havia entrado na faculdade, tinha acabado de terminar um contrato, não tinha casa própria, carro, não namorava. Basicamente eu levava, de forma inconsciente, o modelo de vida perfeita como um objetivo a ser alcançado. Coloquei aspas ali na palavra todos porquê em momentos de ansiedade, angústia e tristeza nós só olhamos para os pontos negativos de nossas vidas. Sabe a expectativa que eu comentei? Bem, ela é exagerada. Quase nunca criamos objetivos que são realmente alcançáveis, criamos objetivos quase impossíveis de se alcançar. Me levando como exemplo: Queria estar ‘estável’ financeiramente, dentro de uma faculdade estudando em um dos cursos mais concorridos do Brasil, com um carro, cachorro, com uma família igual aqueles comerciais de margarina que todo mundo é feliz e sorridente 100% do tempo. Tudo isso com apenas 19~20 anos de idade. Tá bom, né Fer? Bom, pelo menos o que o comercial de margarina não mostra é que nada é perfeito e eu só vi isso depois de me começar a me conhecer.

A maioria esses objetivos que eu criei internamente, foram de forma inconsciente. Expectativas gigantes que me despertavam a fomenta arte de me criticar, de achar que nada que eu faço é perfeito, de que tudo deveria acontecer exatamente como eu queria. Mas nada é perfeito, então por qual razão eu ou o que eu faço deveria ser?

O que eu não enxergava quando estava com o manto da tristeza por cima de mim é que eu me dedicava excessivamente nas coisas que eu fazia, era elogiado no trabalho, meus tios e meus familiares mais próximos me consideram extremamente inteligente e dedicado; e meus amigos adoram minha companhia. Não enxergava também, que mesmo passando por todas as dificuldades eu tive pessoas ao meu lado que falavam: segue em frente, continua que você é capaz. Mesmo em momentos em que eu não tinha alguém pra falar tais palavras eu segui e hoje estou aqui escrevendo esse texto. Segui em frente, tomei alguns tropeços sim, mas estou aqui e minhas cicatrizes também; elas me fazem mais forte. Todas essas experiências formam meu eu, que começou a olhar pra dentro e perceber que o problema não tá em algo que eu não alcancei, mas na expectativa e nos problemas que eu mesmo complico na minha cabeça. Se você está passando por algum problema saiba que nada é pra sempre. E se você aceitar o desafio de continuar seguindo em frente, lá no futuro verá os bons frutos que você irá colher.

Paulo Fernando

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Tenho 21 anos, sou estudante, baiano e escrevo algumas coisas sobre a vida. Me siga no Instagram @ferwalk