Do fundo do mar, deitada na areia afogada, eu vejo estrelas reluzentes no céu e faço do meu caos um cais.
bordo o abismo com as minhas tintas de esperança,
piso na superfície solar com trajes especiais,
me visto com o que é melhor de mim: confiança.
acordo de um sonho e durmo, faço do meu passado poeira 
e deixo que o futuro se desenhe sozinho.
eu não gosto do estrago e nunca gostei. eu gosto dos restos que junto
e faço um só, uno, plausível. 
o meu coração é um deserto em pleno oceano. 
dos meus questionamentos faço respostas
e espero que o acaso seja gentil.
dos girassóis amarelos, provo a lavanda que cheira a saudade,
das memórias que escondo no âmago e só ouso em relembrá-las
quando sei que não irão mais me afetar.
o desalento me alfineta nos dias que uso a navalha para cortar a consciência com erros. erros maquiados de arrependimento.
cada amor é uma possibilidade de despedida,
por isso faço de toda experiência um ápice de intensidade.
se vivo como se hoje fosse tudo o que há para mim, 
não é por insanidade juvenil, é para fazer de cada segundo uma história.
ponho meus planos em um liquidificador e espero que a sorte me separe o melhor destino. 
ainda não sei ser alguém estável, mas se eu fosse, não seria eu.