A velocidade do tempo

Há alguns dias atras estava aguardando ser atendido quando recebo uma mensagem no WhatsApp de uma amiga com quem não tinha contato há muito tempo me perguntando se eu poderia ajudar na tradução de uma correspondência antiga entre dois irmãos antepassados seus. Em questão de minutos as cartas digitalizadas do início do século passado apareceram na tela do meu telefone e eu comecei o trabalho de decifrar a caligrafia.

Sem pedir licença ao remetente ou mesmo ao destinatário começou a se desenhar em minha frente a vida cotidiana de uma época em que uma carta chegou a demorar 6 meses para percorrer a distância de 350km. Brigas de família, noivado, casamento com uma viúva, 8 filhos, doença, solidão…..nada muito diferente da vida atual exceto talvez a quantidade de filhos.

Mas o que mais me chamou a atenção foi a velocidade, a percepção do passar do tempo e a necessidade de deixar registrado de uma só vez tudo aquilo que gostaria que fosse dito. Hoje com a comunicação instantânea parece ser que muitas vezes não nos preocupamos em dizer tudo ou mesmo escrevemos, apagamos e resumimos nossas palavras. Isto quando não usamos símbolos (:0) para expressar-nos ou temos que resumir tudo em 140 caracteres.

Não que ontem era certo e hoje seja errado mas fico com a impressão que algo interessante e importante se perdeu neste intervalo de tempo. Me pergunto o que foi…..

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