A inicial M

Chega como quem não quer nada,
Hora lisa, segundos cacheada.
De cabelos soltos, presos,
Cropped indispensável, sem receios.

A cada passo vejo
O tempo passar lento como lampejo.
Não há localidade nela,
É só perdição de água limpa em aquarela.

Fugiu do seu quadro,
Arrebentou suas raízes,
Para passar ao lado
Abalando todas e quaisquer superfícies.

Preparações são inúteis de modo tal
Que, o bem se confunde ao próprio Mal.
Nem a temperatura desses trópicos dias
Escapa da vinda de suas invernias.

A chuva descarrega em mim lembranças,
Despidas com vontades. 
O livro de poesias conta-me mentiras,
Vestidas de verdades.
O café traz o cheiro quente,
Sem pensar no frio ou na gente.
Seus olhos dizem sorrisos que rentes
São motivadores recentes.

Pois é ela a mente brilhante.
Sob pressão é grafite e não diamante.
Afinal, com qual deles se escreve?
A musa é a carga que a minha lapiseira serve.

Jovem multíscia das sensações,
Fale-me sobre elas!
Chame as estrelas de velas,
Jantemos à conversa de constatações.

Sai do chão verde e voa pelo azul,
Desvia cômica e bela.
Viva entre o norte e o sul.
É assim que vejo ela.

A mulher perigosa,
Já citada pela grande Ariana.
Seu título é de própria prosa:
Mariana.

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