Minha clandestina imaginação

Ah, elas não cansam, já percebi. Não, não falo só das palavras, falo também da imaginação. Às vezes me vejo perdida entre discussões e diálogos noturnos delas. Tento ouvir uma música, distrai-las, mas não há coisa inorgânica que seja capaz de não as motivar mais. Venho contar que senti a pouco um calafrio subir por trás de mim e um sussurro:

— Você gosta quando eu lhe afloro, admita!

— Não darei essa certeza para você! - disse dando um lerdo passo pra frente.

— Seus arrepios têm certeza absoluta que já me contentam junto co…- a interrompi e virei para a tal, perplexa.

— Junto de que? - tremi estável.
Ela veio próxima e lenta, deixando sua respiração quente em meu pescoço:

— Com a tortura que provoco tão bem em você! - sorriu sádica.
A afastei pelos ombros como Afasto um livro com bom cheiro.

— Ah, não faça isso. Deixe-me cuidar desse momento. - disse meiga lapidando minha Carne masoquista.

— Nem sequer estamos em uma rede, não tenho você no peito. - Retruquei cabisbaixa afastando minhas mãos.

— Mas não seria essa felicidade, Clandestina? - perpetuou sábia em Clarisse.

— Sua razão me é estonteante. - levei minhas mãos até sua cintura e disse fixa em seus olhos de Imaginação:

— Pois não sou mais uma menina com um livro...
Ela completou enquanto jogava sua veste superior Imaginária ao alto:

— É uma mulher com sua amante!