1° Ato


Ontem o Rio acordou cinza, mas apesar de Adriana Calcanhotto dizer que “cariocas não gostam de dias nublados”, o mau tempo não impediu o público da cidade de ir conferir o primeiro dia da nossa programação, que estreou com cinco espetáculos e esquentou a noite dessa quinta-feira com várias opções de qualidade (e gratuitas!) para novos e antigos admiradores do teatro.




As peças que abriram a maratona FESTLIP foram “Improvisos da Lusofonia”, no Teatro Laura Alvim, dos grupos Os Improváveis e Teatro do Nada; “O Preço do Fato”, dos angolanos do Núcleo de Artes Pitabel, no Teatro Gláucio Gil; “A Arte de Ganguissar”, do grupo moçambicano Mutumbela Gogo, no Teatro Ipanema; e os espetáculos brasileiros “Francisco Alves – O Rei da Voz” (Teatro Café Pequeno) e “4 Estações” (Teatro do Jockey). Para sentir o clima do público nas apresentações, esse blog foi conferir duas peças bem de perto, começando justamente pelas do Brasil.

Nossa primeira parada foi no aconchegante Teatro Café Pequeno. Chegamos no momento em que os atores Eduardo Cabus (que é autor da peça e no palco interpreta as canções de Francisco Alves) e Nancy Monçores, além do pianista nascido em Macau (tudo a ver com nosso festival!) Filipe D’Assumção, ainda se preparavam para entrar no palco. “Pra mim está sendo muito legal poder representar essa peça no festival”, frisou Nancy, ansiosa pela estreia, enquanto Eduardo Cabus poupava a bela voz para emocionar a plateia.

Nancy Monçores e Filipe D'Assumção dividem o palco do Teatro Café Pequeno

Aos poucos, as cadeiras do teatro foram sendo ocupadas. As primeiras a chegar foram as irmãs Maria da Luz Pina e Marilda Bravo, que haviam sido atraídas pelo nosso cartaz ao passar em frente ao Café Pequeno. “Como é Francisco Alves hoje, resolvi vir, porque minha irmã era muito fã dele. Quando ele morreu ela chorou muito”, relembrou Maria da Luz. Diferentemente delas, a aposentada Nilma Lucia Santos já era frequentadora assídua do FESTLIP. Sentada na primeira fila, ela cantava todas as canções, e se emocionou quando “Francisco Alves” sentou-se em sua mesa para cantar alguns versos, quase um dueto.

Eduardo Cabus e a aposentada Nilma Lucia Santos em "dueto" durante o espetáculo

Apesar de hipnotizados pela voz de Eduardo Cabus, não tínhamos escolha, precisávamos seguir para nossa próxima parada, o Teatro do Jockey. Lá, já na entrada encontramos os amigos Felipe Lemos Tashiro, gerente de loja, e Vinícius Rigoletto, produtor cultural. “Esse festival é muito importante, devia haver mais iniciativas como essa. Sou produtor e sei que é um trabalho de formiguinha”, dizia Vinícius, que conhecia o FESTLIP já de outras temporadas.

O produtor cultural Vinícius Rigoletto já conhecia nosso festival de outras edições

Durante a apresentação de "4 Estações", um grupo de espectadores se destacava dos demais por ser o mais numeroso e empolgado: tratava-se dos 25 alunos do Colégio Estadual Manuel Bandeira, localizado no Horto. “Foi feita uma divulgação para nossa escola e pedimos 30 ingressos para os alunos. Só cinco faltaram. É um público que normalmente não teria acesso a esse tipo de cultura, e cultura é esclarecimento, é abrir o mundo deles para novos horizontes”, afirmou Francisco Vasquez, coordenador pedagógico da escola.

Alunos do Colégio Estadual Manuel Bandeira eram os mais empolgados da plateia

Mas não era só de brasileiros que a plateia da peça de Vinícius Piedade era composta. O diretor angolano Tony Frampênio, da peça “Sujeito e Azarada”, fez questão de prestigiar o trabalho dos colegas locais. “É uma oportunidade que só existe uma vez por ano. Dividimos nosso grupo para podermos ver todas as peças e depois vamos sentar e conversar sobre o que vimos”, relatou Tony, que ainda ensinou a esse blog uma palavra em angolano: cupapata, que significa motoboy. Ficou sem entender o que esse termo tem a ver com “4 Estações”? Então não deixe de assistir à peça! E viva o intercâmbio cultural!

Vinícius Piedade interpreta o "cupapata"e Gabriela Veiga, a "secretária bilíngue"

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