Quem eu conheci #11 — o (futuramente, quem sabe) psicólogo

Eu tenho um amigo que sempre está lá para te ajudar.

É um defeito dele, como ele mesmo diz. Talvez coisa de aquariano, sempre com um senso humanitário. Ele é o autor da frase que o ouço constantemente repetir: “Quero que vocês se fodam. Mas se fodam com carinho”.

E quando uma de nossas amigas não estava bem, decidimos que era hora de fazer isso mudar. Não podíamos deixa-la se sentir sozinha, não quando estávamos sempre por lá, por ela e para ela.

Como tínhamos deixado-a chegar nesse ponto de solidão? Era uma certa culpa que carregávamos por não tem notado antes.

Às vezes a gente deixa de lembrar as pessoas como elas são especiais.

Preparamos coisas para comer. E depois nos reunimos na sala da casa de um dos nossos amigos, em roda. Sua casa é sempre nosso ponto de encontro. Sei que, quando eu for lembrar de minha adolescência, é de sua casa que lembrarei. E de todos nós reunidos escutando Arctic Monkeys.

Era hora de colocarmos para fora aquilo que escondemos por medo.

Medo de parecer frágil. Pequeno. Porque é sempre assim. Não queremos que tenham pena de nós.

Mas quando temos amigos, dissemos a ela, não é só para os bons momentos. Também para quando a angústia aperta e precisamos de um ombro para chorar. Não é vergonha chorar.

Então meu amigo, que nasceu para a psicologia, pede que façamos uma dinâmica. Um de cada vez vamos falando coisas que nos enfraquecem, que nos magoa.

Depois de notar que a maioria está relacionado com família, voltamos a roda com soluções. Cada um tentando ajudar. Pois não é isso que amigos servem?

Não sei se esse tipo de coisa é um clichê de psicólogos, psiquiatras ou grupos de apoio, mas ajudou. Ajudou para fortalecer a amizade, dando um passo a mais de confiança.

Temos apenas dezesseis anos, tudo bem. A vida nem começou direito, mas isso não diminuiu tudo o que dói aqui dentro. E ah, como é bom poder dividir um pouco tudo que sentimos.

Mesmo com pessoas que nos machucam e fazem coisas que não esperávamos que elas pudessem fazer, tenho a fé de que a maioria das pessoas são boas. Não posso parar de confiar em todos porque uma traiu a minha confiança. E enquanto isso, eu sou sortuda. Sortuda porque entre todos que um dia me machucaram, há o triplo de pessoas que só me fizeram feliz.