Santa Chuva

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A chuva caía densa do céu. Céu, que sempre esteve no meio do mar e de lá. Ninguém precisa entender o sentido, meu amor, só nós.

Se eu fechasse os olhos, o barulho da chuva em contato com minha janela poderia mais parecer música. Devagarinho já ouvia o som do violoncelo, violino, um quinteto de cordas em sintonia.

O céu sempre desabou entre nós. Estávamos já cansados, mas indispostos para fugir.

Ficava só imaginando se em algum momento você tocaria minha campainha, ensopado, seu cabelo grudado em sua testa, pedindo para entrar.

A chuva sempre com sua vontade de trazer você para mim.

Cadê aquela outra mulher? Você me parecia tão bem.
 Mas tudo bem, querido, a chuva já passou por aqui, eu mesma que cuidei de secar.

Não me dói mais. Ou dói, mas já me habituei que amorteceu.

Talvez por saber que você não viria que minha vontade era de chorar, trazendo a chuva também para dentro de casa. E então assim eu finalmente me entregaria de coração à tempestade.

Tempestade essa que vinha acompanhado com seu cheiro de bebida barata e maconha mequetrefe. Nem a seda sabe enrolar direito, querido, quem dirá saber amar.

O amor teceu. É nossa missão desfiar.

Não há porque chorar por um amor que já morreu. Deixa pra lá, eu vou, adeus.


Porque essa música é linda e inspiradora e feita para ouvir quietinho, com o coração na mão e o amor palpitando.