Alexander Hamilton

We are waiting in the weeds for you

Como um bastardo, órfão, filho de uma meretriz e um escocês, jogado no meio de um buraco esquecido do Caribe, pela sorte deixado na miséria, crescer pra se tornar um herói e um intelectual?

Eu também não fazia a menor ideia, mas eu aprendi ouvindo um milhão de vezes o álbum de Hamilton. O musical de maior sucesso do ano passado e desse ano nos EUA. Como o próprio nome diz, a peça conta a vida e morte de Alexander Hamilton, primeiro secretário do Tesouro Americano. Basicamente o cara que criou o sistema financeiro americano que conhecemos até hoje.

O musical tinha tudo pra dar errado. Tudo começou quando Lin-Manuel Miranda (que eu não tinha ideia de quem era antes e agora eu tenho vontade de abraçar e dizer “você é o cara!”) começou a ler a biografia do Hamilton escrita por Ron Chernow. Ele viu esse cara que não tinha nada e ainda perdeu o nada que tinha e com a força da sua escrita conseguiu fazer com que o pessoal do seu povoado juntasse dinheiro pra pagar a sua educação em Nova York (“this kid is insane, man!”). Pra ele a história desse cara que saiu da pobreza absoluta e com o poder das palavras se tornou um revolucionário e por fim um dos responsáveis pela independência americana é a essência do hip hop. É o usar suas palavras de forma tão contundente, com tanta força, tanta vontade que você chega no topo.

Miranda então resolveu fazer um Álbum conceito contando a história dele. O disco seria todo em hip hop e seria narrado por Aaron Burr. Ele foi o primeiro amigo de Alexander Hamilton, segundo vice-presidente americano e seu último inimigo. Ele mostrou uma prévia disso na Casa Branca. Vocês podem ver aqui:

Ele não resistiu e transformou num musical. Honestamente, eu fui ouvir achando que seria a coisa mais ridícula do mundo. Um musical todo em hip hop, com um elenco majoritariamente negro e latino contando a história de um dos Founding Fathers. Pior, o Founding Father que nunca foi presidente e que quase ninguém lembra. Como isso poderia funcionar? Como poderia ser bom? (“Wait for it! Wait for it!”) Eu não faço ideia, mas é muito muito bom.

Os personagens funcionam. De Hamilton a Burr, passando por Washington, Eliza (sua esposa) e Jefferson. Todos tem um arco, todos tem uma personalidade e isso se reflete até mesmo no estilo musical deles. O único fora do Hip Hop é o Rei George. Ele, obviamente, canta em britpop.

Eu sei que do jeito que eu estou falando aqui tudo parece muito ridículo, mas acreditem em mim. Não é. As músicas são incríveis. Cada nova música que eu ouvia virava minha favorita, a história é fantástica e é toda contada através da música. Hamilton não é um musical, é uma ópera! Tá, uma ópera rap? Uma rap-opera? Qual seria o termo menos bizarro?

Minha vontade era colocar todas as músicas aqui pra vocês ouvirem, mas não dá. Então vou colocar três das minhas favoritas e pedir pra vocês pegarem seu spotify, procurar por Hamilton e ouvir o album inteiro do início ao fim.

Essa primeira música é cantada por Eliza quando vê Alexander Hamilton em um baile.

Essa próxima é da Angelica, irmã de Eliza, no dia do casamento da irmã.

Por fim, esse é o nosso antagonista, Aaron Burr, explicando quem ele é e sua filosofia de vida.

Don’t throw away your shot! Ouçam!

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