Sobre estar só, eu sei

Uma análise rasa, fraca e superficial sobre o disco “4”.

Disclaimer: eu gosto da banda, então eu vou falar bem deles aqui. Se você não gosta, tem outros textos aí, amigão!

Eu conheci os Los Hermanos através de um CD pirata de Bloco do Eu Sozinho que alguém da faculdade me emprestou. Eu acho importante falar quando e as condições porque eu tenho quase certeza que música é momento. Eu estava no momento certo da minha vida pra me tornar fã deles. Eu ainda não era cínico o suficiente pra ouvir “deixa eu brincar de ser feliz, deixa eu pintar o meu nariz” e não ver beleza nisso.

Eu tinha sido definitivamente fisgado pelos barbudos. Aprendi a cantar Cher Antoine em francês, decorei a parte falada em espanhol em Sentimental, cantava junto com os metais, virei parte da família.

Ventura foi uma explosão. Eu perdi a conta de quantas vezes eu ouvi O Vencedor cantando alto. Era como se finalmente a gente soubesse que tudo bem não vencer, não faz mal ter perdido a luta, terminado a história sem a mocinha, não ser espertão. Basta levar a vida devagar pra não faltar amor. Essa foi filosofia que uniu um monte de barbudos, sem barba e aqueles que não conseguiam formar uma barba de forma nenhuma.

Agora era esperar o próximo. O que será que vem por aí? O que será que vai me fazer vibrar? O que será que vai me fazer cantar o show inteiro em uníssono com milhares de pessoas? O que eles estavam cozinhando nesses dois anos desde o lançamento de Ventura?

Aí saiu 4.

Eu não estou exagerando quando digo que a reação ao álbum foi um um monte de universitários e recém-formados de cursos de humanas se olhando sem reação clara e se perguntando: “Err… Nós gostamos?!”

Mais de uma década depois e eu ainda não tenho certeza. De cara não parece um disco de uma banda. Parece que o Camelo fez um disco solo o Amarante fez outro aí chegaram na hora, juntaram e chamaram de álbum.

É o álbum que tem a única música dos Los Hermanos que eu detesto com todas as minhas forças, Horizonte Distante, mas também tem coisas que eu gosto muito.

O Camelo está em modo “quero cortar meus pulsos”, mas é um modo “quero cortar meus pulsos” tão bonito. Fez-Se Mar, Sapato Novo, Pois é. Tão sofrido, tão bonito. Tudo tão bonito, mas totalmente Camelo e não Los Hermanos.

Já o Amarante, bem, o Amarante está sendo Amarante. Condicional e O Vento tem toda a energia dele e um clima bem mais Hermanos, mas ficam deslocados num disco tão introspectivos. Soam como se de repente João Gilberto soltasse uns gritos no meio do show.

Eu devia ter dito antes que eu não entendo nada de música. Eu não sei o que faz algo ser bom ou o que faz algo ser ruim. Eu só sei o que sinto (e ainda assim fico em dúvida), então provavelmente estou falando besteiras. Parece também que eu detesto o disco e não é isso.

Eu gosto do disco. Algumas das minhas músicas preferidas estão nele, eu só não acho que ele funcione como álbum. Quando eu ouço me parece que a própria banda estava deixando de funcionar como banda enquanto o gravava.

Olhando pra trás o “4” me parece o disco de uma banda chegando ao fim. Os integrantes ainda estão lá, mas não olham mais pro mesmo caminho. As diferenças não servem mais pra complementar, mas pra separar.

É quase aquela última tentativa que você faz com aquela pessoa com quem as coisas não funcionam mais, termina não dando tão certo, mas tem vários momentos legais e vale pela vontade de acertar.