Na briga das 500 Milhas, o kart perdeu e a intolerância ganhou mais uma disputa

No último texto, escrevi sobre as redes sociais e os julgamentos que as pessoas fazem atualmente a partir delas. Um “tribunal” que ganhou força num mundo onde infelizmente a intolerância está presente até mesmo num evento intitulado de confraternização.

Muito se falou nos últimos dias sobre o ocorrido nas 500 Milhas de Kart no kartódromo da Granja Viana, em Cotia, São Paulo, quando os pilotos Tuka Rocha e Rodrigo Dantas “trocaram” de esporte, saíram dos karts e deram início a uma disputa digna de UFC.

As equipes de Tuka e Dantas “brigavam” pela vitória, faltando poucas voltas para o final. Mas bem antes disso, um jogo de equipe, sem “fair play” algum, começou na pista para tirar um dos karts da disputa, bem ao estilo “Dick Vigarista”. Só que não era um desenho, era real.

Triste de ver, difícil entender e o resultado foi briga literalmente, com direto a socos e que resultou na desclassificação dos dois times, um liderado por Felipe Massa (que acaba de se aposentar da F-1 e voltou a competir as 500 Milhas depois de alguns anos) e o outro por Thiago Camilo, o vice-campeão da Stock Car 2017.

Um evento que começou como uma confraternização, foi crescendo ao longo destes 21 anos, atraindo cada vez mais pilotos de renome, patrocinadores e mídia, não merecia terminar assim, com dois competidores brigando ao vivo para o Brasil todo pelo SporTV.

Não vou nem entrar no detalhe de quem começou, quem tem mais culpa etc. Na realidade, acho que todos foram culpados e saíram derrotados: os pilotos, os líderes das equipes, os comissários que não puniram o que todo mundo estava vendo na pista bem antes dos sopapos começarem.

Um anticlímax tomou conta do final da prova e fez a TV perder até a premiação do pódio, priorizando as entrevistas com Massa e Camilo, que tentavam explicar o inexplicável. Quando mostraram a equipe de Barrichello, a campeã, já estava todo mundo comemorando com o champanhe.

Sorte deles, mas merecimento também. Não é à toa que o Rubinho é o maior vencedor da prova, com a equipe do Christian Fittipaldi logo atrás. Eles levam a disputa a sério, mas dentro das regras do esporte, respeitando os adversários e fazendo do evento no final uma grande festa mesmo, apesar de todos os interesses e patrocínios envolvidos.

Bom… Agora, já foi. Não tem mais volta. Alguns falaram que o ocorrido é reflexo do automobilismo atual, radicalizaram nas opiniões. Eu não concordo. Infelizmente, acho que é reflexo de uma sociedade como um todo. Uma sociedade feita de muitas pessoas que quebram tudo ou agridem inocentes quando o time não vence o campeonato, que não admitem que seus melhores amigos tenham opiniões contrárias quando o assunto é política, religião…

Todo mundo perdeu com o que aconteceu nas 500 Milhas. O kart é uma modalidade que tem pouco espaço na mídia e, este ano, havia conseguido aparecer bastante, com a transmissão do Brasileiro e agora das 500 Milhas ao vivo. Pena que para o público em geral, a imagem que ficou não foi das melhores.

O que restou para os assessores nos dias seguintes foi tentar gerenciar uma crise, de um evento onde não se esperava problema algum, só festa.

Estou há 20 anos cobrindo corridas e nunca tinha presenciado algo assim. Triste mesmo… Só espero que em 2018 possamos ver disputas apenas nas pistas. Rivalidade faz parte do esporte. Violência não.

Obrigada a todos que acompanharam as nossas colunas em 2017 e que o novo ano traga muita paz, amor e prosperidade! O mundo precisa disso!

Fernanda Gonçalves

Diretora Executiva da FGCom

Assessoria em Comunicação

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