O jornalismo está perdendo sua credibilidade para as redes sociais?

Nunca se falou tanto em redes sociais no embate político brasileiro como este ano nas eleições gerais. Com os candidatos, aliados e seguidores proliferando informações pelas redes, sem contar as inúmeras Fake News, uma questão foi diversas vezes levantada: o jornalismo está perdendo sua credibilidade para as redes sociais?

Quando um candidato se expressa em sua rede social ele se comunica de forma eficaz e como lhe convém, falando direto com o eleitor. Não há questionamentos, ninguém cobra por eventuais contradições. Quer coisa melhor para eles? Além disso, de acordo com pesquisas recentes, o brasileiro passa mais tempo nas redes sociais, do que a média mundial. É o “veículo de comunicação” perfeito neste momento.

Com as operadoras de celular oferecendo planos com Whats app e Facebook, por exemplo, ilimitados, é fácil ver tudo o que está nas redes, mas quando a pessoa quer checar na internet, em algum site, seu plano já não tem mais dados, ela não está no Wifi e, enfim, vamos compartilhar isso logo.

Não estou dizendo também que tudo que está na grande imprensa é verdade. Idealista que sou, gostaria que o jornalismo fosse sempre praticado de forma imparcial, investigativa, de maneira a fazer o leitor pensar e tomar suas decisões isento de opiniões de terceiros. Aquele jornalismo bem feito, que aprendemos na teoria na faculdade e que já derrubou governos e provocou revoluções no mundo todo.

Porém, a realidade é outra. Mesmo as grandes empresas de comunicação têm seus interesses, visam o lucra e, em alguns casos, têm seu “rabo preso”. E o repórter, o editor, o estagiário, todos ali são obrigados a seguir esse “manual”.

Sem contar a crise que assola as redações, que fez os bons profissionais serem demitidos, e hoje um repórter cobre editorias, assuntos diferentes numa mesma semana e fica cada vez mais difícil todo esse trabalho minucioso da profissão.

E, no meio disso tudo, as redes sociais viraram o “veículo de comunicação ideal”. Não é uma crítica às redes. Elas que surgiram como um entretenimento, bem utilizadas, podem ser sim grandes aliadas do bom jornalismo.

O problema é que pela rivalidade política que se criou este ano no país, com as eleições mais parecendo uma guerra de torcidas organizadas de futebol, as informações veiculas nas redes são na maioria falsas, sem fontes, sem créditos, sem critérios.

E, o eleitor que está ali na torcida pelo candidato, não checa nada, toma aquela mensagem como uma verdade absoluta e passa adiante. As pessoas acreditam em tudo o que recebem nos grupos de Whats app e, movidas pelo impulso de prejudicar o adversário, já saem divulgando, postando, julgando, criticando.

E o que sai no jornal, TV, rádio, agências e sites importantes muitas vezes é questionado, mesmo como todo o trabalho de apuração, investigação, dando a chance para os dois lados “falarem”.

Mas virou paixão. Como futebol. E ai não adianta falar. Aliás, a verdade, às vezes, dói. Melhor acreditar naquilo que nos condiz e pronto.

Um ponto engraçado disso tudo é ver partidos e candidatos, que sempre disseram que a imprensa proliferava mentiras, implorando agora para os eleitores procurarem uma fonte confiável para checar as informações, antes de passarem adiante.

Mas não dá pra negar que as redes sociais têm contribuído para a manipulação política e isso já ficou evidente na eleição de Donald Trump nos Estados Unidos. Sem contar as revelações dos últimos dias, envolvendo o candidato Jair Bolsonaro no Brasil.

Aliás, de acordo com estudos recentes, divulgados pelo Instituto Oxford de Internet, ligado à universidade inglesa, esse é um comportamento crescente em todo o mundo.

E para fazer essas notícias ganharem alcance, há todo um aparato tecnológico, com usuários robôs, medidas que proliferam ainda mais a história.

Já existem algumas formas de combater, diminuir a possibilidade de propagação das mensagens, mas ainda tem muito a se fazer e conhecer neste meio. Aliás, num meio de comunicação de larga escala deve haver uma forma também de punir quem divulga notícias mentirosas, que podem acabar com a reputação de pessoas e instituições. O Whats app não é mais uma ferramenta para troca de mensagens privadas. E, por isso, é importante ter sim uma lei para punir quem propaga histórias sem fundamento.

Sem dúvida, é um ponto polêmico, amplo. Na parte jornalística, a mídia tradicional ainda está penando para se adaptar ao mundo digital. E um dos resultados disso está no que teremos nas eleições deste ano: alguns candidatos eleitos com a ajuda de mentiras nas redes sociais.

Fernanda Gonçalves

Diretora Executiva da FGCom

Assessoria em Comunicação

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