Profissão: assessor. Requisito: jogo de cintura

“Na minha época”, jornalista que quisesse cobrir um evento esportivo tinha de ter MTB, o registro da nossa área no Ministério do Trabalho, além de outras exigências. Lembro-me que para cobrir um GP de Fórmula 1, você tinha de enviar até edições do veículo que trabalhava, comprovando o espaço dedicado ao esporte na publicação no último ano.

Bom… Isso 20 anos atrás, quando jornalista era obrigado a ter diploma. De lá pra cá, a comunicação mudou em muitos aspectos. Hoje, existem blogueiros, youtubers muito mais famosos que jornalistas que exercem a profissão em veículos “padrão”, com um alcance enorme aos seus públicos alvos, o que os tornaram grandes formadores de opinião.

E credenciar as pessoas para a cobertura de eventos, em muitos casos, tem deixado os assessores de imprensa e organizadores de cabelos em pé, especialmente quando há a restrição no número de credenciados. Sem contar algumas histórias de credenciados do tipo que fazem perguntas descabidas ou provocam situações inesperadas em coletivas de imprensa. Já ouvi cada coisa. Risos…

Lembro de um evento em que participei alguns anos atrás e uma revista masculina solicitou três credenciais para repórter e fotógrafos. Por se tratar de um grande veículo, os organizadores liberaram as entradas e só no dia do evento descobriu-se que duas das credenciais foram usadas por modelos, contratadas pela revista para “chamarem a atenção” no evento. Com roupas sensuais, elas tiraram fotos com atletas, com o público, deram inclusive um bom retorno para o evento, mas um dos patrocinadores não gostou nada daquilo. Foi uma tremenda saia justa. Hoje motivo de risadas, mas na hora um sufoco para lidar com a situação.

Claro que a pessoa que fez o credenciamento pelo veículo agiu de má fé, poderia ter aberto o jogo perfeitamente, mas são coisas às quais muitos assessores estão sujeitos hoje em dia.

E escrevendo sobre isso, falando das modelos, me lembrei de uma outra ação que fiz na Stock Car, ainda na época da Reunion, com um quadro da Sabrina Sato no Pânico, que se chamava “Lingeries em Perigo”. Além da apresentadora, outras modelos participavam do quadro, enfrentando algum desafio, usando apenas lingerie. Era uma quinta-feira, não tinha treino, mas Interlagos parou para ver as beldades de calcinha e sutiã em pleno box. A Sabrina ainda pilotou o Stock Car do Christian Fittipaldi e levou o piloto para uma volta no circuito (acho que um dos maiores medos que ele passou na vida rsrsrs).

Foi uma ação planejada, combinada e, neste caso, deu tudo certo, com uma super exposição da equipe onde eu trabalhava. Apesar de muito chefe de equipe ter ficado com raiva de mim aquele dia, porque nenhum mecânico trabalhou direito até elas irem embora.

Nestes quase 20 anos de carreira, já passei por vários imprevistos e saias justas como estas. Sem contar as pautas que caem, entrevistas desmarcadas em cima da hora. Já tive de desmarcar entrevista no programa da Ana Maria Braga, por exemplo, porque a avó do atleta que iria participar faleceu de madrugada. Só que no dia anterior, já tinha sido feita a chamada da presença dele, o programa todo pautado… Imagina a confusão! Eu nem sabia por onde começar a falar com a produtora pra contar o ocorrido.

Mas também já passei horas com um cliente uma vez, gravando uma pauta que nunca foi ao ar. Isso então… é mais comum do que a gente imagina.

Enfim, assessor tem de ter jogo de cintura o tempo inteiro.

Fernanda Gonçalves

Diretora Executiva da FGCom

Assessoria em Comunicação

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