#ModaProNovoMundo — Por Jackson Araujo

A atual conjuntura global confirma um futuro de incertezas em que o presente se estabelece como canal estratégico de colaboração para o desenho do novo mundo pautado pelas micropolíticas e seu potencial transformador. A moda é apenas uma delas.

Jackson Araujo, consultor criativo e de tendências e diretor criativo do Trama Afetiva

A Moda — narradora dos tempos — se encontra numa encruzilhada em que se torna evidente, urgente e imprescindível a ressignificação de posturas socioambientais em seus processos de produção. A valorização da transparência, da criatividade e da participação horizontal convergem para a construção de um novo mundo.

E é exatamente nesse cenário de profundas reflexões em contraponto a rápidas tomadas de decisão que se constrói a tal #ModaProNovoMundo, propósito adotado pela Fundação Hermann Hering. Sob a gestão de Amélia Malheiros, a FHH pesquisa, incentiva e constrói ações que enxergam nas lacunas existentes entre os aprendizados formais das escolas de moda e a realidade do mercado um território fértil de incentivo para a formação de profissionais mais aptos a enfrentar as adversidades já postas e vivenciadas pela indústria de roupas, calçados e acessórios.


Na agenda dessas microrrevoluções cotidianas, uma potente forma de economia se fortalece como um novo patamar dentro do conceito de economia criativa, por vezes banalizado em pautas de um empreendedorismo autossuficiente e nem sempre conectado com o bem exponencial. É a Economia Afetiva, que parte da premissa de que vivemos uma nova era movimentada pelo senso de responsabilidade coletiva e por um novo poder regido pelo desafio de organizar o todo — vida social, política, econômica, cultural — , a partir da criação de uma rede em que cada indivíduo se sinta parte de um movimento de transformação socioambiental.

Assim, se faz necessário repensar os vínculos de confiança e credibilidade e questionar quais são os verdadeiros valores contemporâneos; quais vínculos se quer gerar e com quem.

Essa prática econômica visa conectar marcas, criativos e consumidores promovendo novas interseções entre seus realizadores e a sociedade, servindo para colaborar, compreender, reverberar e articular movimentos de inovação, gerando valores éticos e sociais, mostrando que, mediante a circulação de conhecimento especializado, pode-se gerar um sentimento compartilhado e mútuo entre os participantes dessa rede, com reflexos em diferentes valores humanos, como a empatia, a amizade, a confiança. Afetos, portanto.

As trocas estabelecidas pelos afetos pressupõem reciprocidade, impulsionando a circularidade dos processos. O que se defende é a importância da valorização de um sistema em que as relações de troca estabelecidas “modificam a visão mercantil de lastros econômicos para atos recíprocos e afetivos”.

Fortalece-se assim a ideia de uma economia de troca e compartilhamento como meio fundamental para a criação de novos valores em prol do coletivo, sendo a moda um excelente vetor de comunicação e ambiente propício para a experimentação de práticas inovadoras, em que: a troca de informação é fundamental para a compreensão do ambiente e do contexto a ser estudado; as práticas de ressignificação do consumismo fomentam a criação de uma “prosperidade compartilhada”; a cocriação inspira novas maneiras de pensar sobre o papel do indivíduo nas agendas da sustentabilidade.

É fundamental a coragem para investir no cooperativismo como forma de compartilhar ganhos e ratear perdas, sempre ressaltando que o saldo sempre será positivo na planilha que valoriza a aprendizagem e o exercício de valores éticos como sua principal moeda.

Assim, complementar ao seu papel de apontar caminhos e desbravar territórios, ao adotar como propósito #ModaProNovomundo, a Fundação Hermann Hering exerce ainda a promoção de valores humanos (sociais, afetivos e simbólicos) fortalecidos pela confiança e ética, que por sua vez potencializam o tecido social — ou a Trama Afetiva, em seu papel de conexão de diferentes perspectivas e realidades — , promovendo a coesão de criatividade e produção em busca da prosperidade.

Nesse mundo — consciente, compartilhado, em rede, que quer construir marcas com propósitos transformadores — , novas oportunidades só serão aproveitadas por indivíduos que compartilham, que comunicam sua visão e suas intenções e que acreditam em fazer esforços para um bem maior.


Você é nosso convidado para compartilhar uma pesquisa ou artigo nesse espaço. Deixa um comentário ou manda inbox pra gente na página da FHH .

Siga a Fundação Hermann Hering no Facebook e vem fazer com a gente a #ModaProNovoMundo.