Ninguém pode saber
Ninguém pode saber as coisas que fiz por você. Eu menti, me ausentei, passei horas entrelaçada em pensamentos insanos. Voltei a ler, a escrever, a sorrir - ainda que de um jeito incoerente. Ninguém pode saber que foi por sua causa.
Ninguém pode saber dos lugares que fui por você. Estive em outras cidades, perto da sua casa, em horários trocados, fiquei muito tempo de bobeira. Estive do outro lado, das frases, das cores, da vida. Ninguém pode saber que foi por sua causa.
Ninguém pode saber as coisas que troquei por você. As festas, bares, pessoas, momentos, responsabilidades, sonos, remédios, presenças reais. Eu fui perdendo o fio da meada. Ninguém pode saber que foi por sua causa.
Ninguém pode saber as coisas que eu penso sobre você. Seus olhos, sua boca, sua cara, seu riso que sobrevoa o mundo aterrisando bem no meio do meu quarto durante todos os meus sonhos, as mãos, seus irmãos, as tatuagens. A meia lágrima, ninguém pode saber que é por sua causa.
Ninguém pode saber de muitas coisas, na verdade. Coisas essas que preciso trancafiar antes que eu seja trancafiada para fora da minha própria vida.
Ninguém pode saber porque você é o que eu tenho de mais precioso ocupando minha mente agora. E ninguém pode saber que a minha vida só acontece por sua causa.
