A visita de Temer à Federação Russa (ou Temtem no país dos sovietes)

Membro da comitiva do presidente animado ao ver a capital soviética (reprodução de Timtim no País dos Sovietes)

Muitas pessoas acham que a Rússia ainda não superou completamente a herança soviética. A surpresa que tivemos recentemente (segunda-feira dia 26/06), quando o presidente Michel Temer voltou de uma visita diplomática a Moscou, é que ele também não. É estranhíssimo pensar que, em um país que até 2016 vivia sob o risco de implantação de uma ditadura comunista, tivéssemos que esperar 2017, com o PMBD na presidência, para ver a ressuscitação da União Soviética. E é mais estranho ainda que ela tenha sido revivida pronta para investir no Brasil, ansiosa por fazê-lo. Cinquenta anos atrás chamariam isso de atividade subversiva e conspiração com o inimigo. Hoje é apenas risível.

Um contrassenso em termos, a União Soviética de Temer tem empresários. Talvez ele tenha pensado na abertura chinesa, e ache que o Putin é apenas o novo Secretário-Geral do Partido Comunista Soviético. Não deixa de ter alguma lógica. Ou quem sabe isso tudo não é apenas a manifestação de um desejo íntimo do presidente de voltar a uma época mais simples, quando não havia eleições direitas para o cargo máximo do executivo, nem protestos nas ruas, nem pesquisas de popularidade, nem a internet. Uma época em que o cabelo dele ainda era escuro e a justiça não aceitava delações premiadas. Não dá para saber. Ou talvez isso tudo foi só uma manifestação de senilidade do presidente e seu ministério de septuagenários. Ou mesmo nada mais que uma ironia do universo, para pontuar com memes esse governo que até quem apoia quer fingir que não existe. Qual dessas opções é a causa do comentário, ou se todas, não dá para saber.

Entretanto, uma coisa é certa: se Temer não estiver enganado, e ele realmente tiver voltado da União Soviética, então ele tem acesso a uma máquina do tempo. Nesse caso, eu faço um apelo ao presidente, em nome da nação brasileira, para que esse conhecimento seja disponibilizado ao público, já que tenho certeza que este equipamento teria muitas utilidades. Os historiadores poderiam usá-lo para ver a construção das pirâmides, a inauguração do Coliseu, ou a primeira vez que José Serra exerceu um cargo público. Pacifistas poderiam voltar ao passado e impedir as duas guerra mundiais, assim como a explosão de Chernobyl e o desastre em Fukushima. E nós, o público leigo, poderíamos voltar a 2014 para perguntar à então candidata Dilma Rousseff quem será o seu vice-presidente. Esse tipo de informação a gente nunca sabe quando vai vir a calhar.

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